quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Maio Maria Matão

Ela olha  as frutinhas
A mais de 20 metros de distância

O canto dos pássaros
Os cachorros perdidos

Ela se compadece
Da tamanha loucura que é o viver

Na Terra
É tudo vislumbrante e tenebroso

Plantamos uma árvore
Explodimos uma minhoca

Admiramos o trabalho árduo das formigas
Pisamos

Enormes folhas são carregadas
E sob as nossas costas
O peso das dúvidas:

O que eu faço na Terra?
Quem sou eu?

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Feche os olhos.



Pense nuns olhos fechados
E respiração lenta
Mente leve e desperta
Ouvindo o murmúrio do amor
Sentindo a pele arrepiar
No toque dos beijos leves
Navegar por dentro dos teus ouvidos
E descobrir qual a música sou pra você

Jairo Medeiros  2017-08-15

Para Cristina

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

HEIN?

Faço poemas pras Musas
-Sacana!
Chamo uma puta de puta
-Canalha!
Digo-me maldito errante
-Psicopata!
Tinjo-me de suavidade
-É gay!
Cortejo quem me atrai
-É casada!
Desdenho quem me enoja
-Vai lá!
Agrido quem merece
-Violento!
Revelo as verdades
-Tarado!
Vomito a sociedade
-Hipócrita!
Isolo-me nas festas
-Estranho!
Sorrio pra desgraça
-Interna!
Choro um romance
-Piegas!
Acendo uma paixão
-De novo?
Esqueço uma paixão
-De novo?
Tranco o coração
-Que é isso?
Faço uma canção
-Trabalha!
Brindo por viver
-É bêbado!
Distraio-me sonhando
-Drogado!
Desejo só morrer
-Suicida!
Eu olho para frente
-É surdo!
Fábio Roberto

sábado, 12 de agosto de 2017

FOTOGRAMAS

AVISO
Este texto-filme contém líricas e cruas cenas de violência física e psicológica!

Do Livro de Textos e Crônicas

FOTOGRAMAS
E naquele momento em que eu estava morrendo não passou um filme na minha cabeça. Nem um curta, nem um longa, nem uma série, ou musical, comédia, drama, aventura. Nem Fim foi escrito nos letreiros frente aos meus olhos. Nada vi. Simplesmente morri no filme tão lindo que nem existiu. Era um romance...

Tudo começou quando eu descia a Paracatu e você vinha com seu jeito desligado no sentido Jabaquara. E eu sempre distraído desta vez me atentei para o seu andar bailarino e sensual. Você foi se aproximando e eu tive certeza de que te conhecia, mas nunca houvera te visto. Até que passamos um pelo outro. Eu te admirei a beleza e fui completamente ignorado.

Quando você já estava a quatro passos além, estanquei os meus. Era estranho, mas eu sabia que tínhamos história. Não conseguia lembrar direito. Na minha cabeça éramos muito mais do que conhecidos. Tínhamos intimidade. Na realidade vivíamos aquela cumplicidade que só o tempo de convivência permite construir e solidificar na vida juntos.

Ao me despertar novamente você já se afastara quase meio quarteirão e eu ali estático, sem reação, desprovido de palavras ou idéias para que você me reconhecesse e percebesse o quanto éramos importantes um para o outro. A minha figura incomum e descabelada não poderia ser esquecida assim tão facilmente como se fora um transeunte qualquer, um mero indigente.

Você prosseguiu impávida, com passos impiedosos alcançando o próximo quarteirão enquanto eu, imóvel, me certifiquei que você era o amor da minha vida. Sim. A nossa paixão arrebatadora fora invejada e cantada pela cidade, versada em rimas ricas pelos poetas mais instigantes. Eu só não entendia o tamanho da sua frieza, como se nada houvera existido entre nós.

Os pensamentos embaralhados em minha mente, o coração despedaçado pelo desprezo que eu recebia após tantas juras de amor que devíamos ter feito um para o outro ao longo dos anos me transtornaram, mas nem assim consegui me mexer. E você já chegava à grande avenida, bem próxima da última esquina. Pensei em gritar o seu nome, mas eu não o sabia.

Antes que virasse a esquina eu tive esperança de que você parasse, me visse ali na calçada feito cão abandonado, olhasse nos meus olhos dando aquele sorriso que era exclusivo meu e flutuasse de braços abertos pra mim, momento em que soaria nas rádios uma sonata de Chopin emocionando o mundo, mas não. Você sumiu entre as pessoas que atravessavam a rua.

Aí o sangue subiu e me deu uma raiva! Quem era você pra me tratar daquele jeito? O que eu tinha feito para merecer aquilo? Havia me dedicado tanto, tínhamos sonhado um futuro tão bonito longe dessa loucura urbana que desvirtua os melhores sentimentos. E nossos filhos, nossa casa? O cérebro a mil, mas os meus pés se movimentaram em slow motion.

Quando cheguei esbaforido e cheio de ódio na Jabaquara você andava aceleradamente rumo ao metrô São Judas. Ah... mas eu te alcançaria. Você não fugiria assim impune e me considerando um lixo, a escória humana, um traste, um verme, um nada. Não sei como foi surgir uma peixeira em minha mão exatamente na hora em que comecei a correr desenfreadamente.

As pessoas me viram correndo de olhos esbugalhados com aquela faca na mão e assustadas gritaram pela polícia. Ninguém imaginava o quanto a gente tinha se amado, a intensidade da paixão que vivêramos. Não podiam entender que eu tinha plena razão pela minha revolta incontrolável. Eu não te conhecia, mas acreditava que tudo aquilo era a mais pura verdade.

Vendo-me ao lado, a expressão de pavor em seu rosto foi comovente. Que horror cinzento em seus olhos tão verdes. Tive a impressão que finalmente você me reconhecia e se arrependia tardiamente de me ter feito esse mal. O impressionante é que eu ainda não recordava de você. A faca já sentia o sabor do seu sangue quando seis balas de 38 estraçalharam o meu corpo.

E naquele momento em que eu estava morrendo não passou um filme na minha cabeça. Nem um curta, nem um longa, nem uma série, ou musical, comédia, drama, aventura. Nem Fim foi escrito nos letreiros frente aos meus olhos. Nada vi. Simplesmente morri no filme tão lindo que nem existiu. Era um romance...


Fábio Roberto

Inspirado em “Sui Generis” de Leandro Henrique                    

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

DEUSA

Ainda não sei o sabor
Do beijo que ontem sonhei
Passeando pela paisagem
De mãos dadas com uma deusa

Eu lembro que havia o canto
Da natureza espantada
Com a paixão que nascia
E o coração desejava

Os pés nem se cansavam
Amantes assim flutuam
Parecia tudo real
Os olhos clareando a noite

Não precisamos palavras
O sentimento entendeu-nos
Aquecendo em abraço tão forte
Que a vida se despertou

Movimentando a lua
Do céu para outro tempo
Nascendo um dourado dia
Feliz por abrir os olhos

E admirar o teu rosto
Sorrindo e era apenas sonho
Lugar onde eu te beijei
E onde eu sei o teu gosto


Fábio Roberto

09.08.17

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

EPITÁFIOS DE...


Dono de Celular da Oi: tchau!
Dono de Celular da Vivo: morto-vivo
Dono de Celular da Tim: aparelho fora da área de cobertura.
Curto e Grosso: off
Cervejeiro: daqui não há quem cevada.
Realista: a pós-vida está osso!
Desiludido: enterraram meus sonhos.
Viciado: do pó ao pó.
Convencido: meus pêsames para todos.
Português: terra à vista!
Rico: o futuro... adeus, pertences!
Sovina: Deus me pague!
Ateu: Há...Deus?
Pobre: lápide retirada por inadimplência.
Gay: já dei o que tinha que dar.
Devedor: devo não nego, vem aqui me cobrar.
Modelo: meu esqueleto veste um terno Giorgio Armani.
Fumante: estou na área reservada para fumantes!
Atleta: bati o meu recorde sem respirar!
Bombeiro: só restaram cinzas...
Pescador: tantas minhocas, mas cadê a vara?
Ansioso: já fui tarde.
Incrédulo: isto não está acontecendo.
Otimista: passei desta para melhor
Fábio Roberto

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O ANO NOVO

O Ano Novo resolveu não nascer. De soslaio perscrutou o ambiente e resolveu continuar no casulo. Não gostou de nada do que viu. Que adianta chegar e tudo ser igual ou pior? Para que novamente tantas falsas promessas ou esperanças que seriam frustradas? Que ficasse tudo como estava, o Ano Velho se perpetuando coberto de insensatez, injustiças e maldades. Quem sabe a realidade se tornando tão cruelmente perene, pudesse em algum momento a vida sorver com a língua suas lágrimas.

E assim, decidido e irredutível, o Ano Novo fechou os olhos e adormeceu na manhã do último dia do Ano Velho. Este, ancião em frangalhos e com a alma carcomida pela dor, desesperou-se e gritou implorando descanso aos céus. Os Senhores do Tempo, subitamente surpreendidos pela inusitada ação do Ano Novo, convocaram uma reunião com todos os Anos Antigos, que estavam muito mais antigos, pois desde que o mundo se tornara mundo um se somava ao outro sem recesso, portanto o ano I era o Pai de Todos. O Pai de Todos os anos falou aos Senhores do Tempo que aquilo era inadmissível, um absurdo, uma afronta. Como aquele rebento que nem saíra ainda das entranhas da mãe eternidade se rebelava contra a lógica da existência? Exigiu uma providência enérgica falando em nome de todos os Anos Antigos e principalmente pelo Ano Velho atual, que tremia em espasmos desesperados, numa espécie de Parkinson aflorado pelo medo. Mas o que os Senhores do Tempo poderiam fazer? Não havia como obrigar o Ano Novo acordar se ele não quisesse. A situação foi piorando e ficando catastrófica, pois no planeta os preparativos para as festas da virada do ano prosseguiam despreocupadamente, até que o Ano Velho avisou que exatamente à meia-noite também adormeceria para o horizonte.

E assim aconteceu. Sob os olhos estupefatos dos Senhores do Tempo e defronte aos boquiabertos Anos Antigos, o Ano Velho deitou-se em nuvens ao lado do Ano Novo, apagando-se rapidamente. Silenciosos e num sono profundo, ambos passaram a sonhar o mesmo sonho: um tempo que merecesse ter continuidade. Ninguém ainda percebeu que desde aquele dia o ano não muda, não vai pra frente nem retorna. E os dois ainda estão lá, sonhando. Quem sabe desta vez, quem sabe desta vez o Ano Novo acorde...


Fábio Roberto

terça-feira, 1 de agosto de 2017

DESTINOS

O poeta escreve o que vive, o que gostaria de viver, o que sente, o
que sentirá, o que vê ou irá ver, o que passou, o que sabe e o que
nunca saberá.

O destino do poeta é buscar as palavras mais bonitas, perfeitas e
simples para reproduzir a emoção de viver e amar.

Hoje, especialmente hoje, só neste instante, neste milésimo de
segundo e nunca mais talvez, não tenho vida para escrever, não
gostaria de viver nada, nada sinto ou sentirei, nada vejo ou verei,
nada passei, nada sei e nada soube.

Um poeta assim é um poeta sem palavras e ironicamente um
poeta sem palavras nem mais poeta é para poder reproduzir a
emoção de viver e amar.

Então encerro agora todos os destinos com o meu, o meu destino
de ser sem destino. E como não tenho destino algum, nem palavras,
calo minha voz e fecho os meus olhos.

Vou me deixar conduzir para onde o vento leva as folhas que
caem das árvores. Irei junto como uma folha de papel em branco.

Quando outro vento qualquer, por um capricho do destino, me
trouxer de volta, serei poeta de novo e trarei palavras vivas em
minha folha de papel.

Destinos...


Fábio Roberto

Fim do Livro dos Destinos


segunda-feira, 31 de julho de 2017

Rio



Dentro de mim passa um rio de palavras
As coloco na ordem que quero
Para transformar meu dia em paraíso

Para fazer o tempo parar quando te vejo
Para trazer o sol nos dias de solidão
Para fazer um caminho mais curto para te encontrar

E a lua se faz branca e intensa na minha boca
Para tanto, tanto, tantas vezes estar contigo
Mãos dadas na beira mar das lágrimas que derramei

Que o passado me deixou de herança
O presente secou

E o futuro fará o tempo quente ser eterno

Jairo Medeiros

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Do Livro de Textos e Crônicas - ÓCULOS ESCUROS

Vim com somente meus dois “olhos cor de mel” e alguma fotofobia para a claridade mundana deste planeta. Hoje eu os tenho juntamente com apenas meus tênis furados, de quem tanto gosto. Assim como amei todos os anteriores, que foram se desgastando aos poucos por tanto uso. A gente não consegue viver sem nossos tênis companheiros e insiste, insiste em tê-los até quando furam, rasgam, se desintegram... Então a gente sofre, mas os abandona e adquire novos tênis que ficarão velhos também.

Será que amar é assim? Feito um par de tênis que se ajusta aos nossos pés e depois se desintegra? O amor vai se moldando ao nosso corpo inteiro, invade, domina, toma tudo. Fica gostoso, aconchegante, perfeito. Torna-se uma nossa extensão, nos completa. Não se imagina a vida sem ele. Ele passa do sangue para a alma. Passamos a ser um só. Corpo, pés, alma, sorriso, lágrimas.
Amor é compartilhar tudo. Tal qual com o nosso velho par de tênis, não damos mais um passo sem. Até que ele nos enxerga como a um sapato velho e rasgado e nos deixa num canto sem pés, sem amor, vazios.

Será que a vida é assim? Feito um par de tênis e o amor, que se moldam a nós e depois se desintegram?

Nosso corpo vai se adaptando a cada fase do tempo, enquanto desenvolvemos o intelecto, a sensibilidade e todas as variáveis que compõe um ser humano. Aprendemos a valorizar cada respirar e nossas conquistas, até os tênis e os amores.
Crescemos com nossas famílias, realizamos alguns sonhos e continuamos desejando realizar todos os sonhos impossíveis. Até que o esqueleto reclama a sua idade. Mas como não se troca esqueletos, a alma busca novos ossos, pois que os velhos se desintegraram.

Vim com meus olhos cor de mel e tudo foi ficando mais claro, a ponto da minha fotofobia se tornar tão intensa que os olhos do meu coração estão se fechando. Nunca mais vou usar tênis. Nem vou amar novamente. Tampouco terei outra vida.

Não há mais óculos que escureçam tudo o que vejo, sei e sinto claramente.


Fábio Roberto

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Velho Mundo Novo

Pessoas idosas cuidam de suas casas
Com um pincel
Cobrem, delicadamente, aquela ferrugem ressurgênte 
Soldam o portão quebrado 
Podam suas plantas

Os casais se apoiam e aposentam suas bengalas 
A ajuda é mútua e o cuidado eterno 

É fim de tarde
Cheiro de vinho
Azeite 

Pro Sol não entrar nas casas
O toldo é natural
Feito de oliveiras 

O ar é de calmaria
Não há o que ter pressa
O que Temer
Olhem essas casas
Castelos medievais

Em meio a antiquarias 
Casas restauradas
Há mente aberta ao novo 
Outros mentem pro povo 
O novo e o velho acontecem ao mesmo tempo 

É tudo tão clássico 
O sino toca nas catedrais  
Há anúncios nos shoppings  
O cheiro de brechó invade o ar

Caminho nessas ruas ancestrais 
observo o chão de pedra:
"Quantos homens já não devem ter pisado nesse mesmo local?"

Enquanto isso no meu Brasil, feito terra, minha terra!!
Passavam tantos animais...

Jabuti
Jararaca
Jacaré 
Jaguatirica

Avenida perto de casa é Jaguaré 
Meu pai mora na Jabaquara 
Visitamos o Pico do Jaraguá

O povo aqui acha gozado tais nomes 
Eu invejo e admiro 
A calmaria portuguesa 
Mas tenho saudade e respeito 
A minha essência brasileira

Ramo da Árvore



E cada história ficará pra sempre

Enquanto alguém lembrar do homem

Aquele com ou sem raízes

Os sonhos são sombras

Não existem sem mim

Diferente e ainda igual a  sombra da árvore seca

quarta-feira, 26 de julho de 2017

BEM DITO

nesta madrugada, amanhã de manhã, de tarde, na próxima noite ou em outra vida, estarei em estado contemplativo e introspectivo meditando profundamente sobre 

nada..........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................tudo

e se a ausência de paixão seria a não existência ou se a existência seria o pulsar etéreo do coração que sonhou viver uma paixão que nem sonhada poderia ser, então tampouco poderia ser vivida e assim não sendo verossímil em vida e sonho, como pode essa paixão ter sido poderosamente sentida, ter existido e ter morrido?

Não encontro resposta. Esqueceu-me a pergunta.
Nem som, nem sou, nem soul.
Maldito. Medito. Me dito.

Fábio Roberto
Fim das Meditações 

terça-feira, 25 de julho de 2017

INFINDO


INFINDO

Meus versos mais recentes
São feitos pra mexer comigo e com você

Falo direto contigo
Não é sem querer

Versos de amor sincero
Sem explicação

Sem ilusão
Enquanto você quiser

Eu quero
Amar a noite inteira sem parar

Fica  comigo
Fico inteira contigo

Enquanto houver amor
Não larga minha mão

Quero você bem perto
Coração e alma

Amor total, completo
Se você quer
Eu quero
Patricia Justino
Enviado por Patricia Justino em 16/07/2017
http://www.recantodasletras.com.br/poesiasdeamor/6055692

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Do Livro dos Destinos - IMAGINAÇÃO

Voar era só para os pássaros até o homem
dar asas à imaginação.
Se os pássaros derem imaginação às asas,
os homens os alcançarão?
Fábio Roberto