terça-feira, 27 de junho de 2017

de só a só

um jairo gira e gera
dois jairos que juram e giram e geram
outros jairos a girar gerúndios
jairando e gemendo
jairo é um bairro cheio de jairos
com casas cheias de jarras de jairos dentro
um jairo já ironizou com outro
jairópteros jairam sobre jairos
porque jairo é tudo
tudo é jairo
menos o próprio Jairo.




Amor

Cerveja é que nem amor. Feita para acabar!

Gaiola pessoal

                        Finalmente me encontrei.

Meditei e meditarei muito e,
Dentro de mim, descobri um presídio.
Nas portas as inscrições
Das coisas que condenei
E, em cada uma delas,
A sentença fria da Morte.
Mas, como sou o dono das chaves
Consegui agora abrir
Ao menos a primeira Porta:
A da Humildade.
Na porta a sentença da eterna Arrogância.
Desfeita esta barreira
Consigo entender que perdi. Perdi . Perdi. 
A segunda chave na porta:
A da Paz Interior,
Onde a sentença desta
Era o Desequilíbrio.
Respiro fundo à  partir deste momento
E olho os fatos com consciência.
A chave já está na próxima tranca:
Controle Emocional.
A sentença desta era, claro, o Descontrole.
Será esta a chave para minha Liberdade.
Pois com controle, dominam-se os acontecimentos,
Acabam-se as ansiedades.

Ainda faltam muitas portas.
Montei um grande presídio, como disse.
E, finalmente, chegarei na última:
A Plenitude do ser,
Algo parecido com a inocência de uma criança
E a curiosidade de um adolescente.
Agradeço a oportunidade de acordar e,
Agora, olhar o dia com alegria.
Sabendo que, ao término deste,
Cumpri a promessa de desmanchar o meu presídio
e Libertar-me para o Amor.


Jairo Medeiros -  21/02/17

TEU TEMPO

Pra que correr se és o tempo e tão menina
e para ti o dia chega como brisa,
acarinhando teus cabelos na esquina
da vida, cena que a paisagem frisa

em nossos olhos ansiosos e anciãos.
A nós o tempo já não mais espera.
Já passou, escorregando pelas mãos.

Morrer tranquilo e feliz, ai quem me dera...

Fábio Roberto

 Aguardando a resposta da Bia

domingo, 25 de junho de 2017

Acróstico - POEMAS BRABOS

Pretensa ansiedade a controlar,
Ora brabezas, sempre destrezas
Estão a navegar pelo ar,
Marinheiros das durezas!...
Adicionam-me no espaço poético
Saúdo, pois, poetas-mor cibernéticos.

Baseados em fatos (i)reais,
Raciocínios transcendentais...
Armam o sarau e com cerveja
Bebemos cada gole das (in)certezas,
Otimizando o fígado, ora vejam:
Sentires espalhados, não pestanejam!

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Samba de uma foca só


Já comi muita sardinha contra uma foca só
Ostras brotarão no mar, catacrase é uma dó
Resta outra abstinência que acabo de bater
Como toda abstinência Maquiavel eu voltei

Certamente insiste por aqui quebrar encanto e diz que é braba, é quase nada.
Já que culminei todas as pragas no sarau não rolou nada, não deu em nada

Terminei a minha cota, como volto a escrever
Vou te dar uma canhota, sempre a postos pra você
E quem quer levar canhota, rela em mim toma sem dó
Se ta sem vê se apruma, contra uma foca só

André

quarta-feira, 15 de março de 2017

Texto para Zumbido, o filme-canção

O Zumbido que me enlouquece é a voz da solidão que sinto neste planeta desconhecido. Dói na alma a angústia de viver aqui, sem poder melhorar os destinos, impotente frente à realidade cruel que não se transforma.
A beleza do que admiro em cada paisagem da natureza ou gesto caridoso de humanidade, não torna existir mais suportável. Pouco há que suavize esta provação.
As palavras e as melodias que recebo tornam-se a esquizofrenia de um ser atormentado, que tenta escapar por instantes da prisão cantando a agonia ao universo.
Vez ou outra uma Musa surge inspirando obras que descrevem amor e paixão, emocionando o infinito. Mas isso dura o tempo de um sonho, como se fosse um relâmpago no céu da eternidade.
O que resta ao acordar é o vazio e buscar novamente algo que me complete, provoque, envolva, motive, entorpeça, anestesie, drogue, inspire, apaixone...
Não sei se eu sou Um Açoite ou Uma Espada. Talvez eu seja Um Grito Pichado No Muro. Um Zumbido. Que Zumbe e Zumbe e Zumbe...
Fábio Roberto

quarta-feira, 8 de março de 2017

"A Estória de M..."

Baseada  em fatos reais, mas qualquer coincidência é mera semelhança!

Conheci M... em uma rede social da internet em dois mil e alguma coisa. Garota do interior, bonita, engraçada, dona de uma vivacidade peculiar que combinou com o meu jeito imediatamente, apesar de mais novinha. Ela tinha em torno dos trinta e poucos e eu já estava nos quarenta e tantos. Passamos a trocar brincadeiras no site, eu comecei a provocá-la com poemas e logo nos identificamos. As conversas foram se aprofundando, ficando diárias, primeiro pelo msn, depois também por celular. Dorminhoca, quando ela acordava de manhã encontrava um monte de recados na caixa postal com tudo que eu tinha pensado na noite, inclusive poesias de amor. O chato é que ela estava noiva. É uma sina que me persegue, essa de ter relacionamento com mulher comprometida. Algo que nunca me impediu, mas um dos motivos que devo ir pro inferno.

Os papos foram esquentando até que um dia ela veio passar uns dias em Sampa com a desculpa de visitar familiares. Fui buscá-la no início da tarde de uma sexta feira no metrô Saúde. Vê-la em foto era ótimo, mas quando M... surgiu nas escadas arrepiei. Que linda era essa moça com rosto de menina. Os olhos expressivos, meigos e ao mesmo tempo provocantes. Um sorriso meio irônico, meio sapeca. Em resumo, uma mulher apaixonante, obra esmerada de um escultor divino. O abraço foi demorado e bem quente. Eu me arrependi de ter prometido pra ela que não aconteceria sexo entre nós, porque o cheiro delicioso que ela exalava me excitou profundamente. Eu tinha uma série de atividades previstas com a Turma Braba nesses dias e levei M... em todas. Naquela noite iríamos num show junto com vários amigos. Mas antes ela foi conhecer a Casa do Sarau.

Tínhamos a tarde toda pela frente e estávamos sozinhos na Casa. A simpatia de M... era mágica e eu sentia que rolava forte sintonia comigo. O leve sotaque caipira dessa garota cativava. Conversamos, rimos, toquei violão cantando “sou caipira Pirapora nossa...” e rimos mais um pouco, ela fingindo braveza me dando tapinhas... Aí aflorou o Fábio inquieto. Levantava, sentava, balançava, aproximava, resvalava. Certo momento M... saiu da cadeira pra pegar alguma coisa na mesa e ficou de costas, bem pertinho de mim. Aquele perfume me tomou inteiro. Não resisti e a puxei num abraço delicioso e ela falou muito sensualmente que eu tinha prometido não fazer aquilo, mas se entregando. No que respondi que eu era um grande mentiroso...

Foi uma tarde intensa e que por mim teria durado até hoje de tão boa. Transa sensível, densa e natural como se a gente se conhecesse a vida toda. Recuperamos as energias quando chegou a noite, então fomos com os meus amigos ao show, o que é sempre emocionante. E depois do espetáculo teve um mini sarau em Casa. Claro que M... curtiu demais. Pra mim eram atividades corriqueiras, mas pra ela tudo era novidade. Certo momento ela pediu coca cola com limão e gelo, porque não agüentava acompanhar-nos nas cervas. Aproveitei pra zoá-la um pouquinho. De madrugada levei M... na casa dos parentes e foi fantástico acordar de manhã com uma surpresa, porque dessa vez ela que me presenteou com uma cartinha de amor que tenho guardada com muito carinho até hoje e que revendo me motivou a contar estas singelas aventuras.

De tarde nos reencontramos e até boa parte da noite rolou o Tradicional Churras Junino da Turma Braba na Casa do Churrasco, uma das Casas Associadas à Casa do Sarau. Tudo decorado com bandeirolas, repleto de iguarias, cervas transbordando e muito quentão. M... não estava acostumada com aquele ritmo de agito e em um momento insistiu em beber coca cola novamente, o que respeitei, mas não sem muitas brincadeiras. Com M... vivi momentos maravilhosos que me deixaram muito feliz, principalmente porque ela havia se integrado com a Turma como se fizesse parte há anos. Nessa época eu descasara e estava novamente numa fase de não ter compromisso. Cada vez estava com uma amiga, mas raramente as levava nos eventos da Turma pelo antigo vínculo da Segunda Musa da Vida. Confesso que M... teria se tornado a Terceira Musa da Vida (classificação especial superior a paixões, namoradas ou aventuras) se o chato do noivo dela não tivesse vindo furioso pra Sampa acabar com a nossa estória de paixão!

No início dos anos oitenta eu escrevi a letra de uma canção chamada Pessoas, onde canto sobre um poeta que não sabe de onde vem a dor que já não sente, mas está dentro dele e descrevo sua agonia pela vida que não encontra ou deixa perder em passageiras, fugazes, líricas pessoas. Pois então, M... acabou sendo mais uma dessas paixões. Chegamos a nos ver outras vezes, continuamos por um período a manter aquele encanto mútuo. Mas fui percebendo que ela estava tentando aos poucos se afastar de mim. Ela tinha que manter o compromisso que estava planejado e começando a ser estruturado. Aconteceu que ao mesmo tempo me surgiu aquela que seria a real Terceira Musa da Vida, a minha maior e mais louca paixão. Então deixei a inesquecível M... ir embora e ela simplesmente desapareceu. E eu não imaginava que também com o meu novo amor a sina continuaria e depois de muitos anos de “caso” também a veria partir. Eu já teria composto Colecionando Partidas... mas essa é outra, muito mais longa e poderosa estória...


Fábio Roberto

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

DO CARNAVAL

Atualmente relacionamento sério de carnaval é o que mais dura: pelo menos quatro dias de paixão eterna!!!

A maior disputa do atual carnaval brasileiro é entre duas enormes escolas: a dos corruptos/corruptores contra a dos delatores/bandidos. No meio de toda essa sujeira e cada vez mais pobre, o povo samba a sua alegria de coração puro, mas anestesiado, embriagado, disperso, alienado e desiludido, ávido por uma vida melhor. Enquanto isso toca aquela bela canção... "quanto riso, oh quanta alegria, mais de mil palhaços no salão..."

A coisa tá tão complicada que escola de samba tem que ter mestre sala-cozinha-dormitório-banheiro!

Detesto o carnaval Pernambucano. Por isso me frevo de raiva!

Eu vou pular carnaval. Vou direto pra páscoa!

Vou parar de falar em carnaval porque vou sair pra jogar no bicho. Ops, falei..

Nem no carnaval o vegetariano "solta a franga"....

Diz que o Dória neste carnaval vai se fantasiar de prefeito!

Eu acho que essa estória de carnaval é só pra desviar o foco da lava-jato!

Pelo que estão fumando neste carnaval já a segunda feira será de cinzas.

Eu sou tão ligado em carnaval que Fantasia pra mim é um belo filme da Disney!

Eu tenho muito samba no pé. O problema é a quantidade de mé...

Sem discriminação, mas quero muitas mu latas de cervejas.

Em Sampa só não vai atrás do trio elétrico quem não pagou a eletropaulo.

Neste carnaval vou colocar meu black bloc na rua.

Carnaval é pra bom leitor. Aquele que não sai do leito.

Situação ímpar é a de quem não arrumar um par no carnaval.

No carnaval um bom cinéfilo faz uma Série de atividades.



Faroberto

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

DEFINIÇÕES


Sede: sensação provocada pela necessidade de beber algo alcoólico e excitante como cervejas, whiskies, vinhos e a mulher amada.

Fome: sentimento de desejo e excitação pela mulher amada, superior ao tesão.

Vício: sentimento de necessidade da mulher amada, superior à saudade.

Tristeza: sentimento dolorido provocado pelo vício não consumado, a fome não satisfeita e a sede não saciada pela mulher amada.

Alegria: sensação agradável que se tem após o ato de ter a sede, a fome e o vício momentaneamente resolvidos com a mulher amada.

Ciúme: quando se pensa que a mulher amada está satisfazendo a sede, a fome e o vício de outrem.

Dor de Corno: sensação desagradável e específica de dor provocada por protuberâncias pontudas denominadas chifres, sentida quando efetivamente a mulher amada sacia a sede, fome e vício de outrem.

Esperteza: qualidade do homem que tem várias mulheres amadas e sempre uma pronta para saciar sua sede, fome e vício.

Inteligência: qualidade do homem que tem várias mulheres amadas, sempre uma pronta para saciar sua sede, fome e vício e, além disso, as deixa completamente apaixonadas.

Safadeza: ato de retribuir o prazer proporcionado pela mulher amada, levando-a ao merecido êxtase de satisfação e pleno prazer.

Sacanagem: é não fazer safadeza com a mulher amada, porque fez antes com outras mulheres amadas no mesmo dia.


Faroberto

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

MERCADO

E por que você me olha em pleno mercado
com esses olhos verdes de carência?
Não te assustou a minha péssima aparência,
nem o meu olhar desenganado?

Nós dois no caixa pagando a conta da vida,
para a qual parecemos não mais ter crédito.
Este é o nosso legado: um passado inédito
e o futuro num labirinto sem saída.

Conversamos pelas palavras de um sorriso.
O teu marido te espera no carro,
não é tua hora de perder o juízo.

Sabemos bem que caminhar é preciso
e nos despedimos sem abraço ou aviso.
A minha alma doente no chão escarro.


Fábio Roberto

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

COMPOSITOR E POETA ABRE VAGA PARA MUSA

SALÁRIO: poesias e canções.
BENEFÍCIOS: amizade; aventura; emoções intensas, alegres ou não; mergulho nos sentimentos contidos na profundeza da alma; infindáveis palhaçadas, debates filosóficos e papos artísticos; participação nos eventos da Casa do Sarau; carteirinha da Turma Braba; book mensal com as obras inspiradas no período.
BENEFÍCIO ADICIONAL: acervo com mais de 400 canções disponíveis.
HORÁRIO: a combinar
EXIGÊNCIAS: ser mulher inspiradora em todos os sentidos.
DIFERENCIAIS: serão considerados por olhos, coração e mente de poeta.
DURAÇÃO DO CONTRATO: enquanto houver encantamento.
RISCOS: paixão; sexo; descobrir sua loucura; ser criadora de arte; sonhar muito e não se adaptar mais à realidade; querer fugir do mundo; ter a melancolia como parceira até no momento mais feliz; ter a alegria como companheira até em um funeral; ter a vida escrita e sonorizada; não poder esquecer jamais o que passou de bom e ruim; beber a vida e desejar a morte.
INTERESSADAS ENVIEM MENSAGEM INBOX

FAROBERTO

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

ASTERÓIDE

Eu não poupo nada. Seja desespero, grana, cerveja ou raiva. Palavras, dúvidas, músicas, certezas, pensamentos psicopatas ou filosóficos muito menos entronizo em mim. Não me guardo esperança ou desistência. Vomito tudo isso do meu interior. Defeco fé e descrença numa diarréia inacabável. Não consigo juntar pontos e simpatias. Nem acumulo sorrisos ou amontôo melancolias. As minhas tristezas deixo que jorrem em milhares de uivos pra lua. Memórias não me existem, pois as apago cantando nos lugares mais insólitos. Histórias que vivo morrem rapidamente porque não são economizadas. Os meus sonhos praticamente saem na urina quando rego irresponsavelmente jardins, muros e postes. Orações e blasfêmias as executo até me exaurirem. O tempo escasso eu o gasto inadvertidamente. Deixo sangrar cada gota de sangue das feridas abertas na alma e no corpo.

Não poupo coisa alguma ou qualquer pessoa porque posso não acordar amanhã. Fumo maços de cigarros e injeto drogas compulsivamente. Ando kilometros mesmo que esteja quase me arrastando em cansaço. Acabo com a última garrafa de whisky do mundo porque não tem importância ter mais disso no próximo minuto. Outra chance, outro pênalti ou mais uma vez de qualquer coisa não quero porque jogo tudo fora.  Mais uma mulher não desejo porque tenho que me exaurir de todas agora. Quem sabe um asteróide se colida com este planeta justamente no dia seguinte a este e então este será o último dia, e eu não fiz tudo o que podia, queria, desejava. Por isso sou assim intenso, inconseqüente, esquisito e maluco queimando todos os meus talentos desta forma despojada. Paixões vêm, vão, vêm, vão e nunca permanecem. Elas me abandonam no suor. Não sou começo, só o que sempre acaba. Não sou rio, mas um vazamento de cano furado sem conserto. Sou a poluição que vai contaminando o céu até desperdiçar todo o ar. Não me poupo para o amanhã porque ele nunca irá chegar.


Fábio Roberto

domingo, 15 de janeiro de 2017

TEATRO (Musicado em 1991)

Passando pela vida,
pela curva de qualquer esquina perdida,
o horizonte não se enquadra nos olhos.

Tudo é nuvem espessa, longo caminho.
E todo dia a cortina se levanta.
A história se faz linda, violenta.
O destino improvisa o momento,
deslocado no tempo e no espaço sombrio.
Dramas e comédias de um roteiro
que ninguém escreveu.

Passando por aí,
pela curva de qualquer esquina perdida,
a vida não se enquadra nos olhos
de quem a vê.




Fábio Roberto

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

ESCURECER

Corro atrás do tempo,
Não alcanço o amanhecer.
A luz que me chega
Só me cega e faz sofrer.

Fecho os olhos a essa cor brilhante
E não sinto o seu ardor queimar.
Fecho os olhos a essa cor errante
E os abro em melhor lugar.

Meu caminho sempre foi voar.

O sol
Inconsequente
Se pôs.
Indiferente ao frio
E à dor
Nascente.

Meu coração pressente o escurecer.



Fábio Roberto
Letra para a música de Titi Trujillo