Humor, talento, ironia, reflexões, inteligência, sarcasmo, esperteza, maldade, sacanagem, diálogos, debates de ideias, (des)respeito, blasfêmia, provocações. Anti: moralismo, preconceito, censura etc. Participe se tiver coragem!
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
DEVANEIO
Aí perco o sono, tudo é silêncio, principalmente dentro de mim onde nada estou acontecendo. Porque meu amor não está aqui dormindo, cansada, exausta de paixão. Fico um vazio, inerte palidez de alma, triste porque não me sinto mais doer nem saudade. Procuro um som na paisagem da janela, mas só há murmúrios difusos no escuro da madrugada. Penso ouvir tiros, gemidos de alguém fazendo sexo, gritos de truco, filme passando em televisão, um canto de melodia melancólica, gato miando, cão uivando sem lua no céu, não há céu, não há mundo, nem olhos pra esse nada enxergar. Só queria dormir a mente cansada de existir esta vida, quando lembro que eu já disse que "dormir é a ressaca da vida e o aperitivo da morte"... tudo não passa de ilusão. tudo não passa. tudo não. tudo. tu. Ilusão. Fábio Roberto
sexta-feira, 18 de novembro de 2016
CARTA DE DESPEDIDA
Decidi virar um ermitão. Amanhã irei embora para longe, sem passado. Não tenho grana para deixar. Rasguei todos os meus documentos, cartões de todos os tipos. O violão também fica. Que o pegue quem quiser. As minhas pastas de músicas, os cadernos de poesias, contos e palavras soltas ficarão na gaveta, junto com cds, fotos, filmes e todas as lembranças de quem não sou mais. Os computadores e seus arquivos não me sobram importância. Os bancos que busquem os carros, pois para onde vou só chego com meus pés. Estou muito aliviado em me transformar finalmente num ser arredio e solitário. Prefiro estar à margem desta sociedade cansativa e rotineira. Que bom deixar o cabelo crescer até os ombros, nunca mais colocar um sapato. Não precisar falar bom dia, boa noite, boa tarde, como vai, e aí, tudo bem, quanto tempo, te amo, te quebro, que raiva, que alegria, que merda, que delicia, me liga, quanto custa, quanto falta, que horas são... Que maravilhoso será o silêncio da minha mente ausente de sonhos, desejos, vontades, frustrações, arrependimentos, orgulhos, realizações. Mais nenhuma oração será preciso, darei descanso eterno a Deus. Uma existência sem celular, tv, rádio, notícias, emails, pessoas, bondade ou maldade. A minha boca não sentirá mais os sabores amargos das bebidas que fizeram tão mais doce a realidade que terminou. Deixarei livres todas as pessoas que amo, porque amar de verdade talvez seja assim. Amar e partir. Amanhã, quando subirem as cortinas dos meus olhos, seguirei esse destino derradeiro. Será impossível me seguir porque estarei escalando uma montanha que só eu vejo. E lá na minha caverna, bem no topo, admirando o horizonte do mundo a luz de uma fogueira aconchegante e sentindo o abraço da escura noite, aquela maldita e única lágrima secará em meu rosto. Vou fechar os olhos respirando o cheiro de mato trazido pelo vento e sorrir. Vou voltar a sorrir por estar novamente tão perto e tão longe da vida.
Fábio Roberto
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
TATUAGEM
Colo no teu corpo
feito poesia no papel
Feito sol no azul do céu
Sorriso que não sai da boca
Após uma noite intensa, transa louca
de paixão
Colo no teu corpo feito a lua que invade a noite,
Forte e delicadamente feito um açoite
Pra te dar prazer e nunca dor
Um passeio muito, muito além do amor
e do tesão
Colo no teu corpo e te aqueço
É tão bom que em você eu me esqueço
Então eu fico no aconchego do teu lar
Como se ele fosse a viagem do meu olhar
na imensidão...
Feito sol no azul do céu
Sorriso que não sai da boca
Após uma noite intensa, transa louca
de paixão
Colo no teu corpo feito a lua que invade a noite,
Forte e delicadamente feito um açoite
Pra te dar prazer e nunca dor
Um passeio muito, muito além do amor
e do tesão
Colo no teu corpo e te aqueço
É tão bom que em você eu me esqueço
Então eu fico no aconchego do teu lar
Como se ele fosse a viagem do meu olhar
na imensidão...
Fábio Roberto
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
SAL
Mas quem é esse que tanto
falo em romance?
Esse não sou eu, então que eu pare antes que me canse.
Eu sou um poeta maldito que as palavras no papel vomita,
Esse não sou eu, então que eu pare antes que me canse.
Eu sou um poeta maldito que as palavras no papel vomita,
feito comida deteriorada e
fria de suja marmita.
A minha poesia é para ser lambida pelos cães sem donos,
aqueles que bebem as águas apodrecidas nas sarjetas,
uivando para receber réstias de luar, como gorjetas
clamadas pelos miseráveis que habitaram tronos.
O que escrevo é uma ferida purulenta que nunca cicatriza.
É um sentimento que invade. Não se doma. Não se exorciza.
Corrói por ser lava que desce fumegante a encosta,
queimando a alma numa dor tão forte e poderosa que se gosta.
Estas são as declarações de amor deste visionário insano.
O sabor da minha boca pode ser amargo, estranho, obsceno.
Nunca será doce, tampouco suave. Eu não existo ameno.
A minha poesia é para ser lambida pelos cães sem donos,
aqueles que bebem as águas apodrecidas nas sarjetas,
uivando para receber réstias de luar, como gorjetas
clamadas pelos miseráveis que habitaram tronos.
O que escrevo é uma ferida purulenta que nunca cicatriza.
É um sentimento que invade. Não se doma. Não se exorciza.
Corrói por ser lava que desce fumegante a encosta,
queimando a alma numa dor tão forte e poderosa que se gosta.
Estas são as declarações de amor deste visionário insano.
O sabor da minha boca pode ser amargo, estranho, obsceno.
Nunca será doce, tampouco suave. Eu não existo ameno.
Sou o tempero mergulhado sob
as ondas do oceano.
Fábio Roberto
quarta-feira, 20 de julho de 2016
poema noturno
o anoitecer nas casas —
as pálpebras feito lábios
se beijam lentamente no escuro.
os lábios feito asas
no voo das pronúncias
semi-inaudíveis.
Lê
sexta-feira, 8 de julho de 2016
FAROBERTO E O BUSÃO 4727-10
Tenho utilizado o péssimo
transporte público da cidade, vulgo Busão, um serviço precário como tudo o que
oferecem prefeitura ou governo de SP apesar dos brutais impostos, taxas e
cobranças com que afligem a população. Eventualmente utilizo o Busão Praça da
Árvore que passa naquela praça que tem de tudo menos árvore. Mesmo com
aplicativos para saber onde está o ônibus, sempre que me aproximo da esquina do
ponto vejo o veículo indo embora com seu emburrado motorista careca. Não
falha. Dez ou quinze passos antes que eu
chegue à esquina ele passa, seja qual a hora que eu for lá. O desgraçado do
calvo motorista deve ter um GPS especial para localizar usuários se aproximando,
principalmente os de nome Fábio Roberto. Só poder ser isso. E o cara ainda
parte bem devagar, fingindo parar para estimular uma corrida falsa de esperança
ao incauto, acelerando avidamente ao menor gesto que se faça e soltando aquela
fumaçinha pelo escapamento do bus que deve ser dos gases do seu podre intestino.
Muito bem. Isso foi até hoje, quando resolvi ir ao ponto disfarçando ansiedade,
desejo, pressa ou necessidade, aconselhado por Krishnamurti. Assobiando “é maravilhoso
e impressionante que a sede nunca passa...” de forma despreocupada, como quem
nem vai pra lugar algum, segui apenas apreciando a paisagem, os passarinhos
cantando nos jardins, os cães no passeio matinal e cumprimentando os vizinhos
que varriam suas calçadas. Faltando quinze passos para a fatídica esquina, olhei para trás, coloquei a mão no bolso procurando algo, mera dissimulação para o energúmeno motorista descabelado e seu GPS para Fábios Robertos
pensarem que eu ia voltar. Mantendo o andar ritmado e calmo, cheguei à esquina.
De soslaio perscrutei o ambiente e vi. Lá estava ele, o Busão 4727-10, e seu calvo
motorista parados no ponto, com uma fila de passageiros paulatinamente subindo
ao veículo. O pseudo-piloto profissional me viu e entrou em desespero ao
perceber-me aumentando os passos para superar os dez metros da esquina ao
ponto. Ele apertou num frêmito o
acelerador tentando fazer os passageiros entrarem mais rápido no Busão. Alguns
até tropeçaram. Mas não teve jeito. Placidamente o alcancei já partindo, pulei
e mesmo desequilibrado entrei sorrindo ironicamente, dei um sonoro e geral bom
dia que foi respondido pelas pessoas próximas, menos pelo enrubescido de raiva
e escalvado condutor de araque. Então fui até o cobrador assobiando alegremente
“é maravilhoso e impressionante...”
Aí começou a segunda parte do
embate. Aquilo que o projeto de chofer pensou que seria sua vingança. Como
correu aquele Busão numa espécie de Fórmula 1 particular, rangendo cada pedaço
de metal, soltando parafusos, parecendo que iria se desintegrar. Nenhum buraco
segurava o ímpeto do piloto da calvície. Não havia valeta, lombada ou obstáculo
que fizesse arrefecer a sua sanha. As curvas eram feitas praticamente em duas
rodas. Pessoas jogadas pra lá e pra cá feito sardinhas em lata, gritaram
revoltadas. Não adiantou nada. O segurador de volante e sofredor de alopecia,
de olhos esbugalhados, nem mais ouvia a campainha solicitando parada. Ele só
tinha o intuito insano de me derrubar e machucar. Só que eu não entro em duelo
despreparado. Já havia afivelado meu cinto de segurança, daqueles usados para
lavar janelas em prédios de cinqüenta andares, no cano do carro e me mantinha ali
firme e pregado como macaquinho nas costas da macaca-mãe. Objetos, velhinhos e
crianças voavam no interior do bólido a exemplo do que acontece num avião despressurizado.
Buzinas ensandecidas eram acionadas pelos automóveis nas ruas. Acenos de
marronzinhos, apitos, viaturas do CET, ambulâncias, bombeiros e helicópteros
dos programas sensacionalistas de TV perseguiram o 4727-10 desvairado pelo
bairro do Jabaquara, até que as sirenes e barreiras da polícia fizeram o
aparvalhado timoneiro de testa alongada frear o desgastado coletivo.
Soltei o cinto de segurança, fui
para a porta de saída do carro ao lado do navegador desprovido de proteção
capilar na moleira, agora com um sarcástico e incontrolável gargalhar de
vitória. Parei no pé da escada. Dei um “duplo twist carpado com pirueta”, digno
de olimpíada e cheguei ao solo sem movimentar o corpo um milímetro. De braços
abertos recebi os aplausos de todos os passageiros, policiais, marronzinhos,
bombeiros, paramédicos e curiosos.
Dotado de crânio vazio por dentro
e por fora, aquele escalpelado psicopata Jóquei de Busão não imaginava quem tinha
provocado.
Faroberto
terça-feira, 28 de junho de 2016
VELHICE
Envelhecer é
esvaziar por dentro.
É o
emagrecer da alma.
Raiz que se
desprende da terra.
O desespero da calma.
Uma saudade
que berra.
Memória que
não mais tem centro.
Envelhecer é
o final da vela.
Um prato que
ficou vazio.
Palavras que
encerram livros.
É o leito seco
de um rio.
O ocaso do
deus Eros.
A tinta que
borrou a tela.
Envelhecer é doença de infância.
Uma dor que não tem cura.
É passar muitas vontades.
A noite quieta e escura.
É não ter as vaidades.
A sirene de uma ambulância.
Envelhecer é
apagar o farol.
Violão de
corda quebrada.
O tremor da
mão que acena.
Assistir a
morte da amada.
E é saber
que valeu à pena,
Viver cada
nascer do sol.
E é saber que valeu à pena,
Viver cada nascer do sol.
Fábio
Roberto
quarta-feira, 13 de abril de 2016
BEIJO DA MADRUGADA
Por que tu me
beijaste eu não sei.
Será por que tu me notaste triste?
Será por que o meu coração ouviste
descompassado, amargo, fora da lei?
Não sustentei olhar teus olhos refulgentes,
sorrindo pro meu rosto de indigente.
Só admirei os teus bailados deslumbrantes,
a desfilar-me paixão louca e vibrante.
Por que tu me beijaste, madrugada,
se cedo tu fugias pro teu dono
e o dia preparava outra cilada?
Restou-me a luz pungente do abandono,
minha poesia estéril ou calada,
se a lua adormeceu eterno sono.
Fábio Roberto
2008
sábado, 9 de abril de 2016
poema de 6 anos
o primeiro nos chegou já do nada
nada trouxe ou perguntou já de prima.
só depois vindo do bar deu em cima,
do florista trazendo a flor roubada.
o segundo mal chegou foi embora,
como tudo que é melhor passou logo.
o segundo - nem minuto, nem hora -
escapou como um silêncio no fogo.
o terceiro foi azul como um sábado.
como o primeiro, intenso, primavera.
qual o segundo, inebriado, bêbado,
e como o quarto, ver-se-á, quimera.
o quarto foi assim: bom como um quarto,
onde existirmos — noite em plenilúnio.
e como o quinto então seria, farto,
como um segredo dentro de um murmúrio.
e o quinto, claro, toda quintessência
de ímpetos, quíntuplos, de amor sublime,
inabalável, toda a exuberância
da delicada flor em terra firme.
o sexto, ah, o sexto é como uma sexta,
é bom: como o aconchego de uma cama.
como a doce alegria de uma festa
que dura bem mais que um fim de semana.
Lê
nada trouxe ou perguntou já de prima.
só depois vindo do bar deu em cima,
do florista trazendo a flor roubada.
o segundo mal chegou foi embora,
como tudo que é melhor passou logo.
o segundo - nem minuto, nem hora -
escapou como um silêncio no fogo.
o terceiro foi azul como um sábado.
como o primeiro, intenso, primavera.
qual o segundo, inebriado, bêbado,
e como o quarto, ver-se-á, quimera.
o quarto foi assim: bom como um quarto,
onde existirmos — noite em plenilúnio.
e como o quinto então seria, farto,
como um segredo dentro de um murmúrio.
e o quinto, claro, toda quintessência
de ímpetos, quíntuplos, de amor sublime,
inabalável, toda a exuberância
da delicada flor em terra firme.
o sexto, ah, o sexto é como uma sexta,
é bom: como o aconchego de uma cama.
como a doce alegria de uma festa
que dura bem mais que um fim de semana.
Lê
quarta-feira, 6 de abril de 2016
Nordeste
Nordeste, nos deste muito
mais que as belezas apenas
de sua terra. Centenas,
milhares de razões junto
neste poema fortuito.
De artistas quantos caetanos
wagners, caymmis e lázaros;
das aves, que tantos pássaros,
de carcarás a tucanos, *
neste poema os louvamos.
Imaterial seu tesouro,
frevo, baião, samba, jongo,
o repertório é bem longo.
Capoeira de Besouro
neste poema faz coro.
mais que as belezas apenas
de sua terra. Centenas,
milhares de razões junto
neste poema fortuito.
De artistas quantos caetanos
wagners, caymmis e lázaros;
das aves, que tantos pássaros,
de carcarás a tucanos, *
neste poema os louvamos.
Imaterial seu tesouro,
frevo, baião, samba, jongo,
o repertório é bem longo.
Capoeira de Besouro
neste poema faz coro.
De culinária, Nordeste,
quantos temperos na feira!
Quanto nome à macaxeira!
pimenta cabra-da-peste,
em que poema arde?! neste!
Se humilde é a roupa que veste,
tua cultura é mais rica,
quanto mais tiram mais fica
quantos temperos na feira!
Quanto nome à macaxeira!
pimenta cabra-da-peste,
em que poema arde?! neste!
Se humilde é a roupa que veste,
tua cultura é mais rica,
quanto mais tiram mais fica
neste meu poema agreste:
nos deste muito, Nordeste!
Lê
*!
Lê
*!
terça-feira, 5 de abril de 2016
A metáfora contra a realidade
A medieval mídia acende as tochas junto ao leiloado legislativo, cujos
gritos fossilizados, saídos de suas cavernosas bocas, fundem-se ao inflamado coro de apoio ao judô judiciário. Uns poucos monopolizam a
improvisada arquibancada.
Imobilizado, o executivo, de terno e gravata em vez de quimono, não pede
água, pede whisky. O oponente se enfurece da ousadia e aplica um
desastrado wazari, derrubando os sigilos. A chusma entusiasmada ordena ao heroico
judoca o ippon, alguns pedem que o executivo se deixe cair por si mesmo.
A midieval e os leiloados querem ver sangue, mas não podem ver
sangue porque sangue é vermelho e vermelho é estritamente proibido
nesse azulado tatame.
Os apostadores com suas notas descabeladas nas mãos, os patrocinadores com suas notas bem penteadas no bolso, fazem pressão pelo resultado. Os primeiros salivam ameaças. Os outros dão diagnósticos terríveis, a depender do resultado. Os organizadores do evento se entreolham e se comunicam com certa cumplicidade submissa.
A faixa preta, que devia estar na altura dos
olhos, circunda a cintura do judoca, qual bambolê de algum Saturno
imaginável. Ele tenta derrubar o adversário puxando pela gravata,
os juízes discutem se isso é ou não um golpe válido. Outros, se é de
fato um golpe. Outros ainda, se o uso da gravata é permitido. Um
cogita se o engravatado em si é um competidor legítimo, questiona a autenticidade de sua classificação. Alguém propõe um exame de doping surpresa ali mesmo durante
a luta, qualquer coisa que afete o resultado da disputa. Discutem tanto que a bancada quase sai na pancada.
Todos se engalfinham, se atracam. A área de combate se alastra para o ginásio todo. De repente é várzea, se já não era.
Enfim, diante desse cenário cruamente realístico toda matéria onírica antes plástica e espontaneamente abstrata se reduz a tédio observável, petrificado. Toda metáfora se empalidece e desbota inutilizável. Toda hipérbole se esvazia e murcha comedida. Toda ficção, a mais absurda, se espanta e se queda boquiaberta. Toda substância química alucinógena desperta num colchão de sobriedade jamais experimentado. Garanto, nada, nada é mais exagerado, imprevisível e inacreditável do que a própria realidade.
Lê
Todos se engalfinham, se atracam. A área de combate se alastra para o ginásio todo. De repente é várzea, se já não era.
Enfim, diante desse cenário cruamente realístico toda matéria onírica antes plástica e espontaneamente abstrata se reduz a tédio observável, petrificado. Toda metáfora se empalidece e desbota inutilizável. Toda hipérbole se esvazia e murcha comedida. Toda ficção, a mais absurda, se espanta e se queda boquiaberta. Toda substância química alucinógena desperta num colchão de sobriedade jamais experimentado. Garanto, nada, nada é mais exagerado, imprevisível e inacreditável do que a própria realidade.
Lê
terça-feira, 15 de março de 2016
jogral para Jairófilos
ciclone em Cairo
nariz do Jairo
se me desvairo
nariz do Jairo
se perco o faro
nariz do Jairo
que rosto avaro
nariz do Jairo
é um dinossauro?
nariz do Jairo
de rir não paro
nariz do Jairo
nariz nariz
nariz do Jairo
se me desvairo
nariz do Jairo
se perco o faro
nariz do Jairo
que rosto avaro
nariz do Jairo
é um dinossauro?
nariz do Jairo
de rir não paro
nariz do Jairo
nariz nariz
nariz do Jairo.
Lê
Lê
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
DA SÉRIE TARDES: TARDE NO CEMITÉRIO
Para um coveiro
os mortos são os ossos do ofício.
Claro que a televisão do coveiro tem fantasmas.
Um coveiro realmente tem que ter presença de espírito.
Para o dono do cemitério um cadáver no caixão vale mais do que dois no necrotério.
Vegetariano pode virar presunto?
Para um defunto tudo são flores.
Existe atitude mais extremista do que dar a extrema unção?
Brancos, negros ou amarelos quando morrem viram cinzas.
Morrer deve sem bom, porque as caveiras nunca deixam de sorrir.
Sempre tem um vivo de olho em uma viúva rica.
Pode fofocar agora porque um dia sua boca será um túmulo.
Nesta sociedade o homem só deixa de ser um cpf quando passa a ser uma lápide.
Os vermes não tem preconceito; não fazem distinção de raça, credo, posição social ou estética; E a humanidade não consegue...
Ironia mesmo é um bombeiro ser cremado.
Ser dono de funerária. Isso é que é apostar no futuro
Quem conta piada em velório acha que existe tumor benigno.
Toda música ruim e de mau gosto é fúnebre.
FAROBERTO
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
AGORA
Antes do final da noite eu
quero te abraçar
Apertado e demoradamente,
Excitado, sentimentalmente,
Mas nem um pouco fraternal.
Antes do final da noite eu
quero te dar um beijo
Apaixonado, inteiramente
Carinhoso e indecente,
Como aquele que se quis e
ainda não se deu.
Antes dessa noite terminar
Quero dizer te amo,
Adeus e bom dia.
Quero te olhar profundamente
Como saudade que se fora...
Antes que eu me acabe com
essa noite,
Seja a madrugada
Eterna ou repentina,
Irei te amar nesse momento
para sempre
E desfrutar a poesia que
seria.
Fábio Roberto
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Rafaela e Enzo
À Rafaela uma boneca
Ao Enzo uma bola
Ela carinha sapeca
Ele trouxe viola
Ela vai colocar brinco
Ele quebrar objetos
Agora somaram cinco
Da Dona Lourdes bisnetos
Sejam bem-vindas crianças
modernas, de mundo informático
Esbaldem-se com as danças
A mim já não deixa o ciático...
Contem com a brincadeira
Do tio pra arrancar sorriso
E ouçam a Bisa, conselheira:
aprontem, mas tenham juízo!
Fábio Roberto
Ao Enzo uma bola
Ela carinha sapeca
Ele trouxe viola
Ela vai colocar brinco
Ele quebrar objetos
Agora somaram cinco
Da Dona Lourdes bisnetos
Sejam bem-vindas crianças
modernas, de mundo informático
Esbaldem-se com as danças
A mim já não deixa o ciático...
Contem com a brincadeira
Do tio pra arrancar sorriso
E ouçam a Bisa, conselheira:
aprontem, mas tenham juízo!
Fábio Roberto
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