sexta-feira, 13 de julho de 2012

TURMA BRABA

André distribui letras em sopapos
Nem liga se na verdade taekondor
Jairo continua engolindo os sapos
Só pensa em Simão, está em torpor
Enrique horas olhando para o céu
Certeza de que vê naves nas nuvens
Marili vinte anos em lua de mel
Desta vez não quer que a perturbem

Assim segue a Turma Braba, brincando
Provocando, emocionando, curtindo
Sempre um passo a frente caminhando
Rumo ao futuro que será bem vindo

Márcia, tranquilidade à beira do mato,
Se inspira escutando da floresta a voz
Leandro criando arte de imediato,
Parece que de toda criatividade é foz
Luciana completa compositora e atriz
Só sabe na vida ser artista em dupla dose
Carlão continua se achando um aprendiz
E na realidade é um declamador virtuose

Assim segue a Turma Braba, brincando
Provocando, emocionando, curtindo
Quem não foi citado pode ficar só reclamando
Ou saiba, Fábio Roberto está sorrindo

 faroberto

Desambiguidade

Leandro assumiu-se como o maior ganhador de todos em tudo, mas por ser um ganhador de fato acha que até quando perde esta ganhando, ou seja, está enganhado.....

Soneto de Maceió

Enrique deu uma de Padre Anchieta
E pôs-se a escrever poemas na areia
Usou de luminária a lua cheia
E fez de um graveto a sua caneta.


Depois empunhou sua clarineta
Rasgou a pele como quem folheia 
E fez jorrar notas da própria veia
Tingindo o chão como quem atapeta.


Assim o poema de areia e de alga
Feito de letras, notas e algarismo
Sutura de açúcar ao que o mar salga.


E fez-se algazarra no mar, em oh!
Pois só se viu tal cena em Maceió
Os números espalhando lirismo...




Fotografia de Marili (ou Enrique)

Ambiguidade

André assumiu-se como o maior perdedor de todos em tudo*, mas por ser um perdedor de fato não convenceu nem a si mesmo, ou seja, ficou a dúvida...

* Em tudo = joquempô, apostas valendo Erdinger, guarda-chuva, virgindade etc, por aí vai.


Camakase

Jairo é um sujeito corróbora,
pois corrobora com a fama
de bem cedo virar abóbora
pra se vestir de sua cama.


Jairo é um cara que se assopra
para apagar a própria chama
como um fantasma da ópera
que se assustasse com a dama. 


Jairo parodia Getúlio Vargas,
seu ídolo e rei do abandono.
É um camakase e diz às largas:
'Saio da vida para entrar no sono.'


quinta-feira, 12 de julho de 2012

Reflexão

Se a música é o suco da arte, então, André é uma fruta!


O SUCO

A música é o suco da arte
Palavras do Fontanetti
Fecha-se claquette
Monta-se cada parte

Do filme que vislumbrei
Som puro e benfazejo
Que no meu violão calejo
A vida em que me sobrei

O líquido percorre
Cada gesto, cada imagem
Cada estrofe, cada passo

Preenchendo todo espaço
Mergulhando esta viagem
O meu sentimento escorre

faroberto

Saudades

Eu voltei, não insista
Se comportam como tietes
Como dois masoquistas
Sentem falta dos bofetes

Se fiquei mudo, me abstive
Não preciso desculpá-lo
Se sem mim não sobrevive
Quando volto é a cavalo

Me comparam com o Jairo, que absurdo
Eu não fujo, seguro a peteca
Não sou mudo e nem sou surdo
Não pego sapo, pego perereca


André

Saudade e Dedo



Vídeo idealizado por Sarah Batista para a 1ª Mostra Artística Temática da Turma Braba.

ps: despedida da casa antiga, reduto de saraus etc, na Al. Guaicanãs 846, e a maior choradeira de todos os tempos.

Fulano Sicrano

Morte no xadrez



* Poema de Leandro Henrique. Interpretação: Luciana Catarina no show Anjo Malandro, 2007, Villaggio Café 


Link do poema: http://anjomalandro.blogspot.com.br/2008/07/morte-no-xadrez.html

Sobrinhas e sobrinhas

Em dia normal eu me empanturro,
me refestelo, me lambuzo de coisinhas.
Como arroz, macarrão, até churros!
Mas quando estão minhas sôbrinhas
grito de meu estômago vira sussurro.
Pobre titio, fica só com as sóbrinhas...


quarta-feira, 11 de julho de 2012

VIROSE 2


Antes que lenga-lenga esculpa
Mentiras em artesanatos
Andre vai inventar desculpa
Saiu pra comprar sapatos

 Andre de sapatos novos
Sem temor ou cacoete
Depois de comer bolovos
Esmerilha no clarinete

Mas com o Jairo trocou fluídos
Parece que intimidades
Quase que amabilidades

Virão com animosidades
Despejando suas verdades
Nada mais do que ruídos.

faroberto

Vírus da covardia

André tomou cerveja no copo
em que Jairo havia bebericado
E de repente, estava no topo,
e foi caindo ao chão gelado.


Pegou sapinhos da boca araúja
e logo passou a engolir o sapo.
Uma voz em sua cuca diz 'fuja'
e ele fugiu sem mais bater papo.


André bebeu do copo da mudez
engoliu o verso, vide o bafo
que não destila nem desabafo.


André hoje revela uma frigidez
no instante em que o fotografo:
vê-se Jairo, calado, quieto, safo.


terça-feira, 10 de julho de 2012

GATINHA SEM A BLUSA DE LÃ (Dedicada à Camila Salomon) *

Me desculpe pelo tempo que eu sei, você  vai se arder
Não adianta essa raiva no olhar
Não barganhe
Num segundo ou dois
Vai enlouquecer
Por isso bem melhor é
Relaxar do que ficar tantan
Relaxar ao engasgar com a maçã
Relaxar manguaçando no bar
Só vai me ofender de manhã

Não me culpe pelas noites em claro que vai passar
De tantos poeminhas refazer
E se até mesmo o nome do esposo você esquecer
Não bata a cabeça
Nesse afã, pegue a contra-mão
Nesse afã, servirá um buzão
Nesse afã, somos eu e você
Gatinha sem a blusa de lã

Seu revólver trinta e oito, falhou
Seu projeto de trampar amanhã
Seu destino nem a cana avisou
É virar outra garrafa sem blusa de lã

Me desculpe pelo tempo que eu sei, quer se escafeder
Não adianta esse ódio no olhar
Não barganhe
Num segundo ou dois
Vai enlouquecer
Por isso bem melhor é
Relaxar do que ficar tantan
Relaxar ao engasgar com a maçã
Relaxar você vai me implorar:
Devolve a minha blusa de lã!

*PARÓDIA DE “GATINHO COM NOVELO DE LÃ(Menescal/C. Netto)

faroberto

Trato

Gracias que não me deserdas!
Gracias por limpar las mierdas
que conter sequer não pude!
Assim farei com teu neto
antes de vir o alfabeto
explicar-lhe a vida rude.


Sei que é nojento, contudo,
lembro que merda é adubo.
Não mais preciso de herança
pois a maior já me deste:
esse corpo, essa veste
e uma angustiosa esperança.


Se for pra limpar, eu limpo
(não me chamarás de ímpio!)
tuas fezes geriatras;
até secarei teu mijo.
Só uma coisa te exijo
para evitar psiquiatras.


Pois se chegar esse dia
lá estarei com alegria
embora chore num olho.
Então peço apenas isso
firmando assim compromisso:
evite comer repolho.