quinta-feira, 3 de agosto de 2017

EPITÁFIOS DE...


Dono de Celular da Oi: tchau!
Dono de Celular da Vivo: morto-vivo
Dono de Celular da Tim: aparelho fora da área de cobertura.
Curto e Grosso: off
Cervejeiro: daqui não há quem cevada.
Realista: a pós-vida está osso!
Desiludido: enterraram meus sonhos.
Viciado: do pó ao pó.
Convencido: meus pêsames para todos.
Português: terra à vista!
Rico: o futuro... adeus, pertences!
Sovina: Deus me pague!
Ateu: Há...Deus?
Pobre: lápide retirada por inadimplência.
Gay: já dei o que tinha que dar.
Devedor: devo não nego, vem aqui me cobrar.
Modelo: meu esqueleto veste um terno Giorgio Armani.
Fumante: estou na área reservada para fumantes!
Atleta: bati o meu recorde sem respirar!
Bombeiro: só restaram cinzas...
Pescador: tantas minhocas, mas cadê a vara?
Ansioso: já fui tarde.
Incrédulo: isto não está acontecendo.
Otimista: passei desta para melhor
Fábio Roberto

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O ANO NOVO

O Ano Novo resolveu não nascer. De soslaio perscrutou o ambiente e resolveu continuar no casulo. Não gostou de nada do que viu. Que adianta chegar e tudo ser igual ou pior? Para que novamente tantas falsas promessas ou esperanças que seriam frustradas? Que ficasse tudo como estava, o Ano Velho se perpetuando coberto de insensatez, injustiças e maldades. Quem sabe a realidade se tornando tão cruelmente perene, pudesse em algum momento a vida sorver com a língua suas lágrimas.

E assim, decidido e irredutível, o Ano Novo fechou os olhos e adormeceu na manhã do último dia do Ano Velho. Este, ancião em frangalhos e com a alma carcomida pela dor, desesperou-se e gritou implorando descanso aos céus. Os Senhores do Tempo, subitamente surpreendidos pela inusitada ação do Ano Novo, convocaram uma reunião com todos os Anos Antigos, que estavam muito mais antigos, pois desde que o mundo se tornara mundo um se somava ao outro sem recesso, portanto o ano I era o Pai de Todos. O Pai de Todos os anos falou aos Senhores do Tempo que aquilo era inadmissível, um absurdo, uma afronta. Como aquele rebento que nem saíra ainda das entranhas da mãe eternidade se rebelava contra a lógica da existência? Exigiu uma providência enérgica falando em nome de todos os Anos Antigos e principalmente pelo Ano Velho atual, que tremia em espasmos desesperados, numa espécie de Parkinson aflorado pelo medo. Mas o que os Senhores do Tempo poderiam fazer? Não havia como obrigar o Ano Novo acordar se ele não quisesse. A situação foi piorando e ficando catastrófica, pois no planeta os preparativos para as festas da virada do ano prosseguiam despreocupadamente, até que o Ano Velho avisou que exatamente à meia-noite também adormeceria para o horizonte.

E assim aconteceu. Sob os olhos estupefatos dos Senhores do Tempo e defronte aos boquiabertos Anos Antigos, o Ano Velho deitou-se em nuvens ao lado do Ano Novo, apagando-se rapidamente. Silenciosos e num sono profundo, ambos passaram a sonhar o mesmo sonho: um tempo que merecesse ter continuidade. Ninguém ainda percebeu que desde aquele dia o ano não muda, não vai pra frente nem retorna. E os dois ainda estão lá, sonhando. Quem sabe desta vez, quem sabe desta vez o Ano Novo acorde...


Fábio Roberto

terça-feira, 1 de agosto de 2017

DESTINOS

O poeta escreve o que vive, o que gostaria de viver, o que sente, o
que sentirá, o que vê ou irá ver, o que passou, o que sabe e o que
nunca saberá.

O destino do poeta é buscar as palavras mais bonitas, perfeitas e
simples para reproduzir a emoção de viver e amar.

Hoje, especialmente hoje, só neste instante, neste milésimo de
segundo e nunca mais talvez, não tenho vida para escrever, não
gostaria de viver nada, nada sinto ou sentirei, nada vejo ou verei,
nada passei, nada sei e nada soube.

Um poeta assim é um poeta sem palavras e ironicamente um
poeta sem palavras nem mais poeta é para poder reproduzir a
emoção de viver e amar.

Então encerro agora todos os destinos com o meu, o meu destino
de ser sem destino. E como não tenho destino algum, nem palavras,
calo minha voz e fecho os meus olhos.

Vou me deixar conduzir para onde o vento leva as folhas que
caem das árvores. Irei junto como uma folha de papel em branco.

Quando outro vento qualquer, por um capricho do destino, me
trouxer de volta, serei poeta de novo e trarei palavras vivas em
minha folha de papel.

Destinos...


Fábio Roberto

Fim do Livro dos Destinos


segunda-feira, 31 de julho de 2017

Rio



Dentro de mim passa um rio de palavras
As coloco na ordem que quero
Para transformar meu dia em paraíso

Para fazer o tempo parar quando te vejo
Para trazer o sol nos dias de solidão
Para fazer um caminho mais curto para te encontrar

E a lua se faz branca e intensa na minha boca
Para tanto, tanto, tantas vezes estar contigo
Mãos dadas na beira mar das lágrimas que derramei

Que o passado me deixou de herança
O presente secou

E o futuro fará o tempo quente ser eterno

Jairo Medeiros

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Do Livro de Textos e Crônicas - ÓCULOS ESCUROS

Vim com somente meus dois “olhos cor de mel” e alguma fotofobia para a claridade mundana deste planeta. Hoje eu os tenho juntamente com apenas meus tênis furados, de quem tanto gosto. Assim como amei todos os anteriores, que foram se desgastando aos poucos por tanto uso. A gente não consegue viver sem nossos tênis companheiros e insiste, insiste em tê-los até quando furam, rasgam, se desintegram... Então a gente sofre, mas os abandona e adquire novos tênis que ficarão velhos também.

Será que amar é assim? Feito um par de tênis que se ajusta aos nossos pés e depois se desintegra? O amor vai se moldando ao nosso corpo inteiro, invade, domina, toma tudo. Fica gostoso, aconchegante, perfeito. Torna-se uma nossa extensão, nos completa. Não se imagina a vida sem ele. Ele passa do sangue para a alma. Passamos a ser um só. Corpo, pés, alma, sorriso, lágrimas.
Amor é compartilhar tudo. Tal qual com o nosso velho par de tênis, não damos mais um passo sem. Até que ele nos enxerga como a um sapato velho e rasgado e nos deixa num canto sem pés, sem amor, vazios.

Será que a vida é assim? Feito um par de tênis e o amor, que se moldam a nós e depois se desintegram?

Nosso corpo vai se adaptando a cada fase do tempo, enquanto desenvolvemos o intelecto, a sensibilidade e todas as variáveis que compõe um ser humano. Aprendemos a valorizar cada respirar e nossas conquistas, até os tênis e os amores.
Crescemos com nossas famílias, realizamos alguns sonhos e continuamos desejando realizar todos os sonhos impossíveis. Até que o esqueleto reclama a sua idade. Mas como não se troca esqueletos, a alma busca novos ossos, pois que os velhos se desintegraram.

Vim com meus olhos cor de mel e tudo foi ficando mais claro, a ponto da minha fotofobia se tornar tão intensa que os olhos do meu coração estão se fechando. Nunca mais vou usar tênis. Nem vou amar novamente. Tampouco terei outra vida.

Não há mais óculos que escureçam tudo o que vejo, sei e sinto claramente.


Fábio Roberto

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Velho Mundo Novo

Pessoas idosas cuidam de suas casas
Com um pincel
Cobrem, delicadamente, aquela ferrugem ressurgênte 
Soldam o portão quebrado 
Podam suas plantas

Os casais se apoiam e aposentam suas bengalas 
A ajuda é mútua e o cuidado eterno 

É fim de tarde
Cheiro de vinho
Azeite 

Pro Sol não entrar nas casas
O toldo é natural
Feito de oliveiras 

O ar é de calmaria
Não há o que ter pressa
O que Temer
Olhem essas casas
Castelos medievais

Em meio a antiquarias 
Casas restauradas
Há mente aberta ao novo 
Outros mentem pro povo 
O novo e o velho acontecem ao mesmo tempo 

É tudo tão clássico 
O sino toca nas catedrais  
Há anúncios nos shoppings  
O cheiro de brechó invade o ar

Caminho nessas ruas ancestrais 
observo o chão de pedra:
"Quantos homens já não devem ter pisado nesse mesmo local?"

Enquanto isso no meu Brasil, feito terra, minha terra!!
Passavam tantos animais...

Jabuti
Jararaca
Jacaré 
Jaguatirica

Avenida perto de casa é Jaguaré 
Meu pai mora na Jabaquara 
Visitamos o Pico do Jaraguá

O povo aqui acha gozado tais nomes 
Eu invejo e admiro 
A calmaria portuguesa 
Mas tenho saudade e respeito 
A minha essência brasileira

Ramo da Árvore



E cada história ficará pra sempre

Enquanto alguém lembrar do homem

Aquele com ou sem raízes

Os sonhos são sombras

Não existem sem mim

Diferente e ainda igual a  sombra da árvore seca

quarta-feira, 26 de julho de 2017

BEM DITO

nesta madrugada, amanhã de manhã, de tarde, na próxima noite ou em outra vida, estarei em estado contemplativo e introspectivo meditando profundamente sobre 

nada..........................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................tudo

e se a ausência de paixão seria a não existência ou se a existência seria o pulsar etéreo do coração que sonhou viver uma paixão que nem sonhada poderia ser, então tampouco poderia ser vivida e assim não sendo verossímil em vida e sonho, como pode essa paixão ter sido poderosamente sentida, ter existido e ter morrido?

Não encontro resposta. Esqueceu-me a pergunta.
Nem som, nem sou, nem soul.
Maldito. Medito. Me dito.

Fábio Roberto
Fim das Meditações 

terça-feira, 25 de julho de 2017

INFINDO


INFINDO

Meus versos mais recentes
São feitos pra mexer comigo e com você

Falo direto contigo
Não é sem querer

Versos de amor sincero
Sem explicação

Sem ilusão
Enquanto você quiser

Eu quero
Amar a noite inteira sem parar

Fica  comigo
Fico inteira contigo

Enquanto houver amor
Não larga minha mão

Quero você bem perto
Coração e alma

Amor total, completo
Se você quer
Eu quero
Patricia Justino
Enviado por Patricia Justino em 16/07/2017
http://www.recantodasletras.com.br/poesiasdeamor/6055692

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Do Livro dos Destinos - IMAGINAÇÃO

Voar era só para os pássaros até o homem
dar asas à imaginação.
Se os pássaros derem imaginação às asas,
os homens os alcançarão?
Fábio Roberto

sábado, 22 de julho de 2017

Do Livro dos Destinos - ÁRVORE

Uma árvore seca, sem folhas, é sombra da sombra que fazia.

Mas a sombra da árvore não é a árvore, não existe sem ela, não tem raízes.

Uma árvore seca continuará sendo uma árvore até morrer, como um homem velho, árvore seca, sombra da sombra, terá sempre a raiz fincada em sua estória de homem.


Fábio Roberto

sábado, 15 de julho de 2017

Do Livro dos Destinos

PAPEL
Preocupa-se muito um papel antes de nascer.
Que papel ele terá no mundo?
Papel de embrulho, para escrever ou desenhar?
Causará boa impressão ou fará um papelão?
Será ele uma pasta, notícias de jornal ou decoração de uma parede?
Oh missão ingrata, se com tantas possibilidades for chamado de higiênico para viver na merda!


Fábio Roberto

sexta-feira, 14 de julho de 2017

SOBRE A MESA...

Tinha uma torta,
era doce,
era meta,
sobre a mesa...
Doce que não se toca,
porque se prova
antes mesmo dos lábios abrirem,
antes mesmo de fazê-la...
Torta como esses versos,
Reta como as indiretas
que por vezes seguem um mapa,
peculiar,
lunar,
morrendo no mar!...

quinta-feira, 13 de julho de 2017

AMOR À PRIMEIRA VISTA

Resolvi encontrá-la amanhã.
A minha namorada, uma mulher especial.
E eu vou me apaixonar por ela instantaneamente.
Em minutos escreverei três livros de poemas
a ela dedicados. E serão compostas por mim,
em menos de meia hora, uma centena de músicas
inspiradas por essa Musa. Ela, com seu jeito
ora tímido ora maroto, conquistará o meu coração
com tanta força que a pedirei em casamento
amanhã mesmo. Com um sorriso resplandecente,
amanhã ela dirá sim. Amanhã nos enlaçaremos
e vamos nos amar tão intensamente que geraremos
nossos filhos, que ainda amanhã crescerão belos
e saudáveis. Nós seremos eternamente companheiros amanhã. Envelheceremos juntos vivendo esse dia de forma violentamente verdadeira. O tempo não terá para nós nenhum sentido.
Não nos fará falta, nem nos sobrará.
Só nos importará o dia de amanhã.
Não anos atrás, que nem existiram. Não ontem,
quando não existimos realmente porque nosso amor
não existia.
Renasceremos amanhã com o nosso amor.
Sem pressa. Sem passado. Sem futuro.
Um amanhã que nunca acabará e deixará o depois de amanhã
sem ter o que fazer, estático, num perpétuo aguardar sem nem poder admirar o nosso amor que nunca terá acontecido ontem.
Por ter nascido e vivido dessa forma impossível, invejada, platônica, onírica, romântica, perfeita, loucamente apaixonada, utópica, lírica, mágica, totalmente e somente amanhã.
          

Fábio Roberto

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Uma

Eu bebo muito. Falo exacerbadamente. Emudeço eternidades. Ninguém me alcança. Mas você canta e eu me ultrapasso.  Faço músicas compulsivamente. Tenho tesão de tarado. Escrevo insanamente. Bebo muito. Tenho pique pra 24 horas de papos ou trabalhos. Mas não tenho 24 horas. Sou um segundo.  Tenho ansiedade. E mantenho a calma porque morri a pressa.  Não tenho ódio. Apenas sou revoltado com este mundo medíocre. Bebo pouco pelo que tenho de sede. Vivo pouco pelo que tenho vontade de viver. Sonho muito pelo que tenho de vida. Bebo bastante. Tenho sede que não passa. Tenho fome de canibal. Animal. Uivo e sou gente.  Eu sou ninguém.  Sou tudo. Sou mais intenso que fogo. Fico de fogo, mas sóbrio. Sóbrio eu enlouqueço. Sou além de nada. Eu amo. Eu te amo. E amei além de paixão. Amor. Amorte. Eu me queimo e quem chega perto queimo violentamente. Mente. Minto. Eu sou todo verdade. Tem mulher que acendi e vai ferver eternamente. Tem mulher que me apaguei. Nenhuma me apagou. Bebo muito. E te beberei toda.  Você ta chegando agora. Muito prazer, este sou eu. Saiba. Eu te desejo tanto que vou fazer mais uma canção de amor. Só prá você.


Fábio Roberto