Pra que correr se és o tempo e tão menina
e para ti o dia chega como brisa,
acarinhando teus cabelos na esquina
da vida, cena que a paisagem frisa
em nossos olhos ansiosos e anciãos.
A nós o tempo já não mais espera.
Já passou, escorregando pelas mãos.
Morrer tranquilo e feliz, ai quem me dera...
Fábio Roberto
Humor, talento, ironia, reflexões, inteligência, sarcasmo, esperteza, maldade, sacanagem, diálogos, debates de ideias, (des)respeito, blasfêmia, provocações. Anti: moralismo, preconceito, censura etc. Participe se tiver coragem!
terça-feira, 27 de junho de 2017
domingo, 25 de junho de 2017
Acróstico - POEMAS BRABOS
Pretensa ansiedade a controlar,
Ora brabezas, sempre destrezas
Estão a navegar pelo ar,
Marinheiros das durezas!...
Adicionam-me no espaço poético
Saúdo, pois, poetas-mor cibernéticos.
Baseados em fatos (i)reais,
Raciocínios transcendentais...
Armam o sarau e com cerveja
Bebemos cada gole das (in)certezas,
Otimizando o fígado, ora vejam:
Sentires espalhados, não pestanejam!
Ora brabezas, sempre destrezas
Estão a navegar pelo ar,
Marinheiros das durezas!...
Adicionam-me no espaço poético
Saúdo, pois, poetas-mor cibernéticos.
Baseados em fatos (i)reais,
Raciocínios transcendentais...
Armam o sarau e com cerveja
Bebemos cada gole das (in)certezas,
Otimizando o fígado, ora vejam:
Sentires espalhados, não pestanejam!
...Pseudônimo de quem ama reticências... que ama "o não dito"... que admira o poder imaginativo do ser humano...
Alma confusa... que encontra fugas nas singelezas dos versos...
... Quem é facilmente comprada por um abraço!...
... Bem vindo(a) aos suspiros de mi'alma!
segunda-feira, 29 de maio de 2017
Samba de uma foca só
Já comi muita sardinha contra uma foca só
Ostras brotarão no mar, catacrase é uma dó
Resta outra abstinência que acabo de bater
Como toda abstinência Maquiavel eu voltei
Certamente insiste por aqui quebrar encanto e diz que é braba, é quase nada.
Já que culminei todas as pragas no sarau não rolou nada, não deu em nada
Terminei a minha cota, como volto a escrever
Vou te dar uma canhota, sempre a postos pra você
E quem quer levar canhota, rela em mim toma sem dó
Se ta sem vê se apruma, contra uma foca só
André
quarta-feira, 15 de março de 2017
Texto para Zumbido, o filme-canção
O Zumbido que me enlouquece é a voz da solidão que sinto neste planeta desconhecido. Dói na alma a angústia de viver aqui, sem poder melhorar os destinos, impotente frente à realidade cruel que não se transforma.
A beleza do que admiro em cada paisagem da natureza ou gesto caridoso de humanidade, não torna existir mais suportável. Pouco há que suavize esta provação.
As palavras e as melodias que recebo tornam-se a esquizofrenia de um ser atormentado, que tenta escapar por instantes da prisão cantando a agonia ao universo.
Vez ou outra uma Musa surge inspirando obras que descrevem amor e paixão, emocionando o infinito. Mas isso dura o tempo de um sonho, como se fosse um relâmpago no céu da eternidade.
O que resta ao acordar é o vazio e buscar novamente algo que me complete, provoque, envolva, motive, entorpeça, anestesie, drogue, inspire, apaixone...
Não sei se eu sou Um Açoite ou Uma Espada. Talvez eu seja Um Grito Pichado No Muro. Um Zumbido. Que Zumbe e Zumbe e Zumbe...
Fábio Roberto
quarta-feira, 8 de março de 2017
"A Estória de M..."
Baseada em fatos reais,
mas qualquer coincidência é mera semelhança!
Conheci M... em uma
rede social da internet em dois mil e alguma coisa. Garota do interior, bonita,
engraçada, dona de uma vivacidade peculiar que combinou com o meu jeito
imediatamente, apesar de mais novinha. Ela tinha em torno dos trinta e poucos e
eu já estava nos quarenta e tantos. Passamos a trocar brincadeiras no site, eu
comecei a provocá-la com poemas e logo nos identificamos. As conversas foram se
aprofundando, ficando diárias, primeiro pelo msn, depois também por celular.
Dorminhoca, quando ela acordava de manhã encontrava um monte de recados na
caixa postal com tudo que eu tinha pensado na noite, inclusive poesias de amor.
O chato é que ela estava noiva. É uma sina que me persegue, essa de ter
relacionamento com mulher comprometida. Algo que nunca me impediu, mas um dos
motivos que devo ir pro inferno.
Os papos foram esquentando
até que um dia ela veio passar uns dias em Sampa com a desculpa de visitar
familiares. Fui buscá-la no início da tarde de uma sexta feira no metrô Saúde.
Vê-la em foto era ótimo, mas quando M... surgiu nas escadas arrepiei. Que linda
era essa moça com rosto de menina. Os olhos expressivos, meigos e ao mesmo
tempo provocantes. Um sorriso meio irônico, meio sapeca. Em resumo, uma mulher apaixonante,
obra esmerada de um escultor divino. O abraço foi demorado e bem quente. Eu me
arrependi de ter prometido pra ela que não aconteceria sexo entre nós, porque o
cheiro delicioso que ela exalava me excitou profundamente. Eu tinha uma série
de atividades previstas com a Turma Braba nesses dias e levei M... em todas.
Naquela noite iríamos num show junto com vários amigos. Mas antes ela foi
conhecer a Casa do Sarau.
Tínhamos a tarde toda
pela frente e estávamos sozinhos na Casa. A simpatia de M... era mágica e eu
sentia que rolava forte sintonia comigo. O leve sotaque caipira dessa garota
cativava. Conversamos, rimos, toquei violão cantando “sou caipira Pirapora
nossa...” e rimos mais um pouco, ela fingindo braveza me dando tapinhas... Aí
aflorou o Fábio inquieto. Levantava, sentava, balançava, aproximava, resvalava.
Certo momento M... saiu da cadeira pra pegar alguma coisa na mesa e ficou de
costas, bem pertinho de mim. Aquele perfume me tomou inteiro. Não resisti e a puxei
num abraço delicioso e ela falou muito sensualmente que eu tinha prometido não
fazer aquilo, mas se entregando. No que respondi que eu era um grande
mentiroso...
Foi uma tarde intensa e
que por mim teria durado até hoje de tão boa. Transa sensível, densa e natural
como se a gente se conhecesse a vida toda. Recuperamos as energias quando chegou
a noite, então fomos com os meus amigos ao show, o que é sempre emocionante. E
depois do espetáculo teve um mini sarau em Casa. Claro que M... curtiu demais.
Pra mim eram atividades corriqueiras, mas pra ela tudo era novidade. Certo
momento ela pediu coca cola com limão e gelo, porque não agüentava
acompanhar-nos nas cervas. Aproveitei pra zoá-la um pouquinho. De madrugada levei
M... na casa dos parentes e foi fantástico acordar de manhã com uma surpresa,
porque dessa vez ela que me presenteou com uma cartinha de amor que tenho
guardada com muito carinho até hoje e que revendo me motivou a contar estas
singelas aventuras.
De tarde nos
reencontramos e até boa parte da noite rolou o Tradicional Churras Junino da
Turma Braba na Casa do Churrasco, uma das Casas Associadas à Casa do Sarau. Tudo
decorado com bandeirolas, repleto de iguarias, cervas transbordando e muito
quentão. M... não estava acostumada com aquele ritmo de agito e em um momento
insistiu em beber coca cola novamente, o que respeitei, mas não sem muitas
brincadeiras. Com M... vivi momentos maravilhosos que me deixaram muito feliz,
principalmente porque ela havia se integrado com a Turma como se fizesse parte
há anos. Nessa época eu descasara e estava novamente numa fase de não ter
compromisso. Cada vez estava com uma amiga, mas raramente as levava nos eventos
da Turma pelo antigo vínculo da Segunda Musa da Vida. Confesso que M... teria
se tornado a Terceira Musa da Vida (classificação especial superior a paixões,
namoradas ou aventuras) se o chato do noivo dela não tivesse vindo furioso pra
Sampa acabar com a nossa estória de paixão!
No início dos anos
oitenta eu escrevi a letra de uma canção chamada Pessoas, onde canto sobre um
poeta que não sabe de onde vem a dor que já não sente, mas está dentro dele e
descrevo sua agonia pela vida que não encontra ou deixa perder em passageiras,
fugazes, líricas pessoas. Pois então, M... acabou sendo mais uma dessas paixões.
Chegamos a nos ver outras vezes, continuamos por um período a manter aquele
encanto mútuo. Mas fui percebendo que ela estava tentando aos poucos se afastar
de mim. Ela tinha que manter o compromisso que estava planejado e começando a
ser estruturado. Aconteceu que ao mesmo tempo me surgiu aquela que seria a real
Terceira Musa da Vida, a minha maior e mais louca paixão. Então deixei a
inesquecível M... ir embora e ela simplesmente desapareceu. E eu não imaginava
que também com o meu novo amor a sina continuaria e depois de muitos anos de
“caso” também a veria partir. Eu já teria composto Colecionando Partidas... mas
essa é outra, muito mais longa e poderosa estória...
Fábio Roberto
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
DO CARNAVAL
Atualmente relacionamento sério de carnaval é o que mais
dura: pelo menos quatro dias de paixão eterna!!!
A maior disputa do atual carnaval brasileiro é entre duas
enormes escolas: a dos corruptos/corruptores contra a dos delatores/bandidos.
No meio de toda essa sujeira e cada vez mais pobre, o povo samba a sua alegria
de coração puro, mas anestesiado, embriagado, disperso, alienado e desiludido,
ávido por uma vida melhor. Enquanto isso toca aquela bela canção...
"quanto riso, oh quanta alegria, mais de mil palhaços no salão..."
A coisa tá tão complicada que escola de samba tem que ter
mestre sala-cozinha-dormitório-banheiro!
Detesto o carnaval Pernambucano. Por isso me frevo de raiva!
Eu vou pular carnaval. Vou direto pra páscoa!
Vou parar de falar em carnaval porque vou sair pra jogar no
bicho. Ops, falei..
Nem no carnaval o vegetariano "solta a franga"....
Diz que o Dória neste carnaval vai se fantasiar de prefeito!
Eu acho que essa estória de carnaval é só pra desviar o foco
da lava-jato!
Pelo que estão fumando neste carnaval já a segunda feira será
de cinzas.
Eu sou tão ligado em carnaval que Fantasia pra mim é um belo
filme da Disney!
Eu tenho muito samba no pé. O problema é a quantidade de
mé...
Sem discriminação, mas quero muitas mu latas de cervejas.
Em Sampa só não vai atrás do trio elétrico quem não pagou a
eletropaulo.
Neste carnaval vou colocar meu black bloc na rua.
Carnaval é pra bom leitor. Aquele que não sai do leito.
Situação ímpar é a de quem não arrumar um par no carnaval.
No carnaval um bom cinéfilo faz uma Série de atividades.
Faroberto
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
DEFINIÇÕES
Sede: sensação
provocada pela necessidade de beber algo alcoólico e excitante como cervejas,
whiskies, vinhos e a mulher amada.
Fome: sentimento de desejo e excitação pela mulher amada, superior ao tesão.
Vício: sentimento de necessidade da mulher amada, superior à saudade.
Tristeza: sentimento dolorido provocado pelo vício não consumado, a fome não satisfeita e a sede não saciada pela mulher amada.
Alegria: sensação agradável que se tem após o ato de ter a sede, a fome e o vício momentaneamente resolvidos com a mulher amada.
Ciúme: quando se pensa que a mulher amada está satisfazendo a sede, a fome e o vício de outrem.
Dor de Corno: sensação desagradável e específica de dor provocada por protuberâncias pontudas denominadas chifres, sentida quando efetivamente a mulher amada sacia a sede, fome e vício de outrem.
Esperteza: qualidade do homem que tem várias mulheres amadas e sempre uma pronta para saciar sua sede, fome e vício.
Fome: sentimento de desejo e excitação pela mulher amada, superior ao tesão.
Vício: sentimento de necessidade da mulher amada, superior à saudade.
Tristeza: sentimento dolorido provocado pelo vício não consumado, a fome não satisfeita e a sede não saciada pela mulher amada.
Alegria: sensação agradável que se tem após o ato de ter a sede, a fome e o vício momentaneamente resolvidos com a mulher amada.
Ciúme: quando se pensa que a mulher amada está satisfazendo a sede, a fome e o vício de outrem.
Dor de Corno: sensação desagradável e específica de dor provocada por protuberâncias pontudas denominadas chifres, sentida quando efetivamente a mulher amada sacia a sede, fome e vício de outrem.
Esperteza: qualidade do homem que tem várias mulheres amadas e sempre uma pronta para saciar sua sede, fome e vício.
Inteligência: qualidade do
homem que tem várias mulheres amadas, sempre uma pronta para saciar sua sede,
fome e vício e, além disso, as deixa completamente apaixonadas.
Safadeza: ato de retribuir o prazer proporcionado pela mulher amada, levando-a ao merecido êxtase de satisfação e pleno prazer.
Sacanagem: é não fazer safadeza com a mulher amada, porque fez antes com outras mulheres amadas no mesmo dia.
Faroberto
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
MERCADO
E
por que você me olha em pleno mercado
com
esses olhos verdes de carência?
Não
te assustou a minha péssima aparência,
nem
o meu olhar desenganado?
Nós
dois no caixa pagando a conta da vida,
para
a qual parecemos não mais ter crédito.
Este
é o nosso legado: um passado inédito
e
o futuro num labirinto sem saída.
Conversamos
pelas palavras de um sorriso.
O
teu marido te espera no carro,
não
é tua hora de perder o juízo.
Sabemos
bem que caminhar é preciso
e
nos despedimos sem abraço ou aviso.
A
minha alma doente no chão escarro.
Fábio
Roberto
terça-feira, 31 de janeiro de 2017
COMPOSITOR E POETA ABRE VAGA PARA MUSA
SALÁRIO:
poesias e canções.
BENEFÍCIOS:
amizade; aventura; emoções intensas, alegres ou não; mergulho nos sentimentos
contidos na profundeza da alma; infindáveis palhaçadas, debates filosóficos e papos
artísticos; participação nos eventos da Casa do Sarau; carteirinha da Turma
Braba; book mensal com as obras inspiradas no período.
BENEFÍCIO
ADICIONAL: acervo com mais de 400 canções disponíveis.
HORÁRIO:
a combinar
EXIGÊNCIAS:
ser mulher inspiradora em todos os sentidos.
DIFERENCIAIS:
serão considerados por olhos, coração e mente de poeta.
DURAÇÃO
DO CONTRATO: enquanto houver encantamento.
RISCOS:
paixão; sexo; descobrir sua loucura; ser criadora de arte; sonhar muito e não
se adaptar mais à realidade; querer fugir do mundo; ter a melancolia como
parceira até no momento mais feliz; ter a alegria como companheira até em um
funeral; ter a vida escrita e sonorizada; não poder esquecer jamais o que
passou de bom e ruim; beber a vida e desejar a morte.
INTERESSADAS
ENVIEM MENSAGEM INBOX
FAROBERTO
quarta-feira, 25 de janeiro de 2017
ASTERÓIDE
Eu não poupo
nada. Seja desespero, grana, cerveja ou raiva. Palavras, dúvidas, músicas,
certezas, pensamentos psicopatas ou filosóficos muito menos entronizo em mim.
Não me guardo esperança ou desistência. Vomito tudo isso do meu interior.
Defeco fé e descrença numa diarréia inacabável. Não consigo juntar pontos e
simpatias. Nem acumulo sorrisos ou amontôo melancolias. As minhas tristezas deixo
que jorrem em milhares de uivos pra lua. Memórias não me existem, pois as apago
cantando nos lugares mais insólitos. Histórias que vivo morrem rapidamente
porque não são economizadas. Os meus sonhos praticamente saem na urina quando rego
irresponsavelmente jardins, muros e postes. Orações e blasfêmias as executo até
me exaurirem. O tempo escasso eu o gasto inadvertidamente. Deixo sangrar cada
gota de sangue das feridas abertas na alma e no corpo.
Não poupo
coisa alguma ou qualquer pessoa porque posso não acordar amanhã. Fumo maços de
cigarros e injeto drogas compulsivamente. Ando kilometros mesmo que esteja
quase me arrastando em cansaço. Acabo com a última garrafa de whisky do mundo
porque não tem importância ter mais disso no próximo minuto. Outra chance,
outro pênalti ou mais uma vez de qualquer coisa não quero porque jogo tudo fora. Mais uma mulher não desejo porque tenho que me
exaurir de todas agora. Quem sabe um asteróide se colida com este planeta justamente
no dia seguinte a este e então este será o último dia, e eu não fiz tudo o que
podia, queria, desejava. Por isso sou assim intenso, inconseqüente, esquisito e
maluco queimando todos os meus talentos desta forma despojada. Paixões vêm, vão,
vêm, vão e nunca permanecem. Elas me abandonam no suor. Não sou começo, só o que
sempre acaba. Não sou rio, mas um vazamento de cano furado sem conserto. Sou a
poluição que vai contaminando o céu até desperdiçar todo o ar. Não me poupo
para o amanhã porque ele nunca irá chegar.
Fábio
Roberto
domingo, 15 de janeiro de 2017
TEATRO (Musicado em 1991)
Passando pela vida,
pela curva de qualquer
esquina perdida,
o horizonte não se enquadra
nos olhos.
Tudo é nuvem espessa, longo
caminho.
E todo dia a cortina se
levanta.
A história se faz linda,
violenta.
O destino improvisa o
momento,
deslocado no tempo e no
espaço sombrio.
Dramas e comédias de um
roteiro
que ninguém escreveu.
Passando por aí,
pela curva de qualquer
esquina perdida,
a vida não se enquadra nos
olhos
de quem a vê.
Fábio Roberto
quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
ESCURECER
Corro atrás do tempo,
Não alcanço o amanhecer.
A luz que me chega
Só me cega e faz sofrer.
Fecho os olhos a essa cor
brilhante
E não sinto o seu ardor
queimar.
Fecho os olhos a essa cor
errante
E os abro em melhor lugar.
Meu caminho sempre foi voar.
O sol
Inconsequente
Se pôs.
Indiferente ao frio
E à dor
Nascente.
Meu coração pressente o
escurecer.
Fábio Roberto
Letra para a música de Titi Trujillo
segunda-feira, 9 de janeiro de 2017
GRAND FINALE
Uma
canção não se desfaz
se
já tocou e alguém sentiu.
Mesmo
se o dono da canção,
um
dia quiser esse som renegar.
Cantar
é dom da vida.
As frases, melodias
que
a cada sol combinam suas cores.
Destinos, Housadias
vencendo
os pudores.
Passagem
carimbada só de ida.
Uma
canção não se desfaz
se
já tocou e alguém sentiu.
Mesmo
se o dono da canção,
um
dia quiser esse som renegar.
Viver
é dom de quem não sabe,
não
desejou, talvez nem acredite.
Dançam
livremente as notas pelo ar.
Não
haverá amor que não acabe.
Mesmo
paixão louca de Afrodite,
morre
só e longe do seu par.
Uma
canção não se desfaz
se
já tocou e alguém sentiu.
Mesmo
se o dono da canção,
um
dia quiser esse som renegar.
Compor
é próximo dos deuses:
o
artista determina grand finale.
Rasgando
a partitura em improviso,
regendo
o som da morte com berceuses.
E
antes que a paixão pra sempre cale,
a
beija altissonante com um sorriso.
Uma
canção não se desfaz
se
já tocou e alguém sentiu.
Mesmo
se o dono da canção,
um
dia quiser esse som renegar.
(Canção 19 da parceria Jairo Araujo e Fábio Roberto)
quinta-feira, 29 de dezembro de 2016
MEDITAÇÕES
Hoje estarei em estado
contemplativo e introspectivo, meditando profundamente sobre a existência ou
não da vida, do amor e da poesia, e a relação intrínseca entre os fragmentos
sensíveis da memória relativa junto ao tempo.
Hoje estarei em estado
contemplativo e introspectivo, meditando profundamente sobre a existência ou
não da morte, da paixão e da arte, e a relação intrínseca entre saber, querer e
fazer com a dicotomia existente no despojamento ou desejo da alma sob a
perspectiva da psique humana.
Hoje estarei em estado
contemplativo e introspectivo, meditando profundamente sobre a consciência ou
abstração do tempo na história universal humana, e a relação intrínseca entre a
inércia do pensamento e a ação instintiva do espírito no conceito de existência,
face ao conhecimento, sabedoria e objetividade.
Hoje estarei em estado
contemplativo e introspectivo, meditando profundamente se a prática da virtude
realmente fundamentaliza a existência do bem ou seria essa assertiva meramente
uma visão teocentrista calcada em conceitos empíricos, e a relação intrínseca
entre o movimento dialético do pensamento e a contraposição refletida por
dogmas e preconceitos singulares ou universais.
Esta noite estarei em
estado contemplativo e introspectivo, meditando profundamente se é o homem
resultado do pensamento relativizado no tempo e no espaço de um mundo quântico,
onde a observação do sujeito epistemológico e só essa observação pode desdobrar
sujeito e objeto para o alcance do conhecimento, e a relação intrínseca entre a
alma, pensamento, ondas, partículas e comportamento dos átomos face às várias
interpretações da existência.
Faroberto
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
ENSOLARADO
O dia
amanhece o seu estorvo,
sob as asas
cansadas de um corvo
de olhar
parado, solitário e lúgubre.
Fome de
cadáver insalubre.
O dia é
ensolarado e nem queria.
Cinzento e
gelado ele seria,
pudesse conceber
a sua escolha.
O vento o
levaria como folha
caída,
apodrecida pelo tempo.
Um resto de funesto sentimento.
Espasmo em
uma face sem sorriso.
Mente que
perdeu qualquer juízo.
Mantra que
repete um só lamento.
Choro que ensurdece o paraíso.
Fábio
Roberto
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