Humor, talento, ironia, reflexões, inteligência, sarcasmo, esperteza, maldade, sacanagem, diálogos, debates de ideias, (des)respeito, blasfêmia, provocações. Anti: moralismo, preconceito, censura etc. Participe se tiver coragem!
terça-feira, 28 de julho de 2015
Soneto invisível
Juro, há uma estrela sobre o bolo.
Naomi aponta: "É uma estrela!"
"É uma vela!", dirá um tolo;
e ainda acrescenta: "é só uma vela.".
Quase Naomi salta do colo:
"É sim estrela. E como é bela!"
Dirá um tolo: "Que desconsolo,
quem dera fosse... É só uma vela..."
Naomi assopra tão ardorosa
que a estrela vira uma nebulosa:
quantas galáxias em torno dela!
Dirá um tolo: "É só fumaça!"
Eu tô com Naomi, e acho graça.
Que seja só. Mas como é bela!
Lê
quinta-feira, 2 de julho de 2015
AMNÉSIAS
A
minha memória é ativa,
dinâmica, esperta, seletiva.
Lembro o que me interessa,
só aquilo que me dá pressa
de viver. E nem te cochicho:
o resto eu jogo no lixo.
É simples, funciona assim:
posso guardar fora de mim?
posso arquivar num pen-drive?
O computador que cave
suas gigantescas lembranças,
sem fazer hora ou lambanças.
Esqueço de fisionomias
caras-de-paus, anemias
de corações repulsivos.
Guardo só os impulsivos
que batem com sinceridade,
mesmo se velhos de idade.
Mas saiba, o melhor da estória
é deletar essa gente escória.
Essas que a nossa amnésia
provocam, só com magnésia
pro estômago não vomitá-las.
Eu prefiro enterrá-las
nos recônditos do mundo,
no escaninho profundo
do completo esquecimento.
Lembro do sentimento
de quem completa a minha frase:
amor inteiro e nunca quase.
fÁBIO rOBERTO
dinâmica, esperta, seletiva.
Lembro o que me interessa,
só aquilo que me dá pressa
de viver. E nem te cochicho:
o resto eu jogo no lixo.
É simples, funciona assim:
posso guardar fora de mim?
posso arquivar num pen-drive?
O computador que cave
suas gigantescas lembranças,
sem fazer hora ou lambanças.
Esqueço de fisionomias
caras-de-paus, anemias
de corações repulsivos.
Guardo só os impulsivos
que batem com sinceridade,
mesmo se velhos de idade.
Mas saiba, o melhor da estória
é deletar essa gente escória.
Essas que a nossa amnésia
provocam, só com magnésia
pro estômago não vomitá-las.
Eu prefiro enterrá-las
nos recônditos do mundo,
no escaninho profundo
do completo esquecimento.
Lembro do sentimento
de quem completa a minha frase:
amor inteiro e nunca quase.
fÁBIO rOBERTO
quinta-feira, 18 de junho de 2015
Prometeu
Talvez eu morra
nascendo em outro
nessa masmorra
em que me encontro.
Talvez eu viva,
o que é pior.
Minha saliva
é teu suor.
Agora mesmo
mordem meu olho.
É o vigésimo,
sem monopólio.
Alguém resmunga,
a voz é minha,
e me excomunga
pagão! definha!
É o fim no termo
a-z do ômega.
Nada mais ermo
que meu estômago.
Mal choro a lâmina
que me tritura
meu riso unânime
já me costura.
O que é pior,
pois nunca cessa.
A minha dor
é uma promessa.
Talvez eu nasça
morrendo em outro
nessa desgraça
em que me encontro.
Lê
nascendo em outro
nessa masmorra
em que me encontro.
Talvez eu viva,
o que é pior.
Minha saliva
é teu suor.
Agora mesmo
mordem meu olho.
É o vigésimo,
sem monopólio.
Alguém resmunga,
a voz é minha,
e me excomunga
pagão! definha!
É o fim no termo
a-z do ômega.
Nada mais ermo
que meu estômago.
Mal choro a lâmina
que me tritura
meu riso unânime
já me costura.
O que é pior,
pois nunca cessa.
A minha dor
é uma promessa.
Talvez eu nasça
morrendo em outro
nessa desgraça
em que me encontro.
Lê
domingo, 31 de maio de 2015
Clave de Fá
A tua vida é admirável ao ser lida em partitura.
Respiras compassadamente, ora adagio, ora moderato,
por vezes allegro, outras prestissimo.
Sempre seguindo a batuta ritmada do coração
que teu sangue quente alimenta,
prenunciando belo arranjo orquestral.
Tudo começa ao teu abrir de olhos,
como que despertando violinos, violoncelos, violas, contrabaixos
e harpas, cordas que obedecem cada teu piscar.
As notas se sucedem quando sorris.
Executas um sol para o dia que nasce.
A instrumentação vai crescendo aos movimentos dos teus
braços e pernas até que gesticulas as mãos delicadamente, comandando um
comovente solo de violoncelo
desenhado em clave de fá.
Tudo silencia aguardando outras ordens.
Com novos e firmes meneios instigas e aos poucos todos
os instrumentos vão se incorporando à voz suave da maestrina.
As madeiras integradas pelas flautas, oboés,
clarinetes e fagotes juntam-se ousadamente às sonoridades
dos teclados e cordas.
Súbito balanças os cabelos e a orquestra inteira
retorna, agregando também o pulsar forte das percussões
com seus carrilhões de sinos, pratos, tímbales, xilofone, gongo, triângulo e
caixas.
Com a cabeça instruis o apoio do naipe de metais,
retumbando trombones, trompetes, trompas e tubas.
Impressionante a harmonia, a música vibrante que tu és.
Como eu queria ser o compositor dessa sinfonia ou um
maestro para reger o som escrito em tua pele.
Eu te aplaudiria, mas fico quieto, totalmente
emudecido
para
continuar ouvindo somente o teu som.Fábio Roberto
sexta-feira, 29 de maio de 2015
Arcaica de Noé
Há palavras que pessoas:
não mudam significado.
Signifixam-se, lugares,
palavras interiorzinho,
palavras que só nenhum.
Ninguém visita palavra,
palavra parente, parada.
Cadeira range, palavra,
na varanda fotografia,
palavra ronca ferrugem.
Agora mesmo, palavra,
salivou raízes, palárvore.
Cupim devorou palavra.
Som de madeira e dentes.
Sorriso farpas, aglossia.
Lê
quarta-feira, 27 de maio de 2015
Jairo, meu recreio
Jairo é recreio
é meu playground
zoo sem receio
pois não responde
Jairo é brinquedo
meu bonequinho
zoo sem medo
pois fica quietinho
André
é meu playground
zoo sem receio
pois não responde
Jairo é brinquedo
meu bonequinho
zoo sem medo
pois fica quietinho
André
Jairo, o alvo calvo e calmo
Posto-me inerte como poste,
um infinito objeto rijo e fálico.
Sou vertical, curvado como itálico,
Mas encontrei alguém que goste.
É o Jairo, meu horizontalter-ego,
cujo nariz, firme lança em riste,
representa, mais que eu, não nego,
a medida de tudo que existe.
Posto-me como poste inerte,
inútil condutor de fios em vão,
sorumbático, ainda que solerte.
Jairo, porém, é um espetáculo.
Se não fosse por ele eu cairia ao chão.
Seu nariz é meu sustentáculo!
Sidnei, o Gigante
um infinito objeto rijo e fálico.
Sou vertical, curvado como itálico,
Mas encontrei alguém que goste.
É o Jairo, meu horizontalter-ego,
cujo nariz, firme lança em riste,
representa, mais que eu, não nego,
a medida de tudo que existe.
Posto-me como poste inerte,
inútil condutor de fios em vão,
sorumbático, ainda que solerte.
Jairo, porém, é um espetáculo.
Se não fosse por ele eu cairia ao chão.
Seu nariz é meu sustentáculo!
Sidnei, o Gigante
Rupestre futurista
Escrever-te é sempre mistério.
Perigosa ideia que me obceca.
Austero oásis, figura asteca
de um deus sem filhos, estéril.
Escrever-te parece-me indigno.
Sobre você, então, que ultraje!
Melhor é virares minha pági-
na e ler no horóscopo teu signo.
Escrever-te é sempre um esculpir-me.
Nesse escavar vou me diminuindo.
Igual a nave que ao céu vai sumindo
tendo deixado o rastro em terra firme.
Lê
Perigosa ideia que me obceca.
Austero oásis, figura asteca
de um deus sem filhos, estéril.
Escrever-te parece-me indigno.
Sobre você, então, que ultraje!
Melhor é virares minha pági-
na e ler no horóscopo teu signo.
Escrever-te é sempre um esculpir-me.
Nesse escavar vou me diminuindo.
Igual a nave que ao céu vai sumindo
tendo deixado o rastro em terra firme.
Lê
Conceitos
Fazer sexo é divino. Não fazer é que é sacanagem.
Faroberto
terça-feira, 5 de maio de 2015
Panela Velha É Que Faz...
Todo político brasileiro é da mesma panelinha...
Faroberto
Faroberto
segunda-feira, 4 de maio de 2015
AGORA
ANTES DO FINAL DA
NOITE EU QUERO TE ABRAÇAR
APERTADO E DEMORADAMENTE,
EXCITADO, SENTIMENTALMENTE,
MAS NEM UM POUCO FRATERNAL.
ANTES DO FINAL DA NOITE EU QUERO TE DAR
APERTADO E DEMORADAMENTE,
EXCITADO, SENTIMENTALMENTE,
MAS NEM UM POUCO FRATERNAL.
ANTES DO FINAL DA NOITE EU QUERO TE DAR
UM BEIJO APAIXONADO,
INTEIRAMENTE CARINHOSO
E INDECENTE,
COMO AQUELE QUE SE QUIS E AINDA NÃO SE DEU.
ANTES DESSA NOITE TERMINAR
QUERO DIZER TE AMO, ADEUS E BOM DIA.
QUERO TE OLHAR PROFUNDAMENTE
COMO SAUDADE QUE SE FORA...
ANTES QUE EU ME ACABE COM ESSA NOITE,
SEJA A MADRUGADA ETERNA OU REPENTINA,
IREI TE AMAR NESSE MOMENTO PARA SEMPRE
E DESFRUTAR A POESIA QUE SERIA.
Fábio RobertoCOMO AQUELE QUE SE QUIS E AINDA NÃO SE DEU.
ANTES DESSA NOITE TERMINAR
QUERO DIZER TE AMO, ADEUS E BOM DIA.
QUERO TE OLHAR PROFUNDAMENTE
COMO SAUDADE QUE SE FORA...
ANTES QUE EU ME ACABE COM ESSA NOITE,
SEJA A MADRUGADA ETERNA OU REPENTINA,
IREI TE AMAR NESSE MOMENTO PARA SEMPRE
E DESFRUTAR A POESIA QUE SERIA.
quinta-feira, 30 de abril de 2015
O transeunte
Aos policiais batendo perguntam o que fazem.
– Estamos aqui pra manter a Ordem.
Aos professores no chão perguntam: por que apanham?
– Representamos o Progresso.
E o transeunte, que devia enfiar o E no meio, apenas vê a cena e pergunta:
– E?
Lê
quarta-feira, 29 de abril de 2015
O sonho da Arte
Antônio se deita demônio.
Levanta sacrílego santo.
O sonho se ajeita ao neurônio
e espanta do epílogo o pranto.
Antônio morrer não nos choca.
Melhor dizer: eletrocuta.
Pois inda que imóvel provoca
a quem tenta, mas não o escuta.
Antônio era um disparate.
Talvez um delírio da câmera.
Antônio era um sonho da Arte,
que é o sonho de Antônio Abujamra.
Lê
terça-feira, 28 de abril de 2015
Trigésimo primeiro
Se André Aguirra, efêmero,
Faz das palavras jejum,
Ao menos aceite os números:
Portentosos 31.
Ora um bebê com seu leite
Ora um pirata e seu rum.
Que importa, apenas aceite,
Valorosos trinta e um.
É a idade clímax, é o auge.
Momento igual há nenhum.
Três décadas são um menáge.
Gloriosos 31...
Daqui pra frente, eu sei não.
A vida é célere... zum...
E no futuro serão
Os saudosos trinta e um.
Lê
segunda-feira, 27 de abril de 2015
AO...POEMA AO CAIEIRO
E se um dia, findo o livro que vivo e escrevo
A cada segundo contado
E a cada passo dado
Alguém o ler com os olhos
E não n' alma sentir
Será como visitar o sepulcro
E minha lápide
Chorar os meus restos
E não lembrar de mim
Por isso deixo grafadas essas letras mortas
Pegadas de meus passos
Para que pensem e saibam
Que elas estão mais vivas
E sinceras em meu coração
Que sente e vê do que o horizonte
Mais
Trecho que musiquei do "Poema ao Caieiro", de Leandro Henrique, um dos muitos que gostaria de ter escrito e sinto como se fosse meu.
Fábio Roberto
Fábio Roberto
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