sábado, 4 de agosto de 2012

DIA DO FILHO

Leandro, meu filho, de dia fica com cara de ui
Vai dormir dizendo... fui

Meio da tarde, sempre com a cara amassada,
Toca o telefone, que maçada

Chega a noite a cara do cara acorda
Pega o violão, pinta e borda

Mas o seu melhor momento é a madrugada
Quando olha pro lado e vê a amada,

Se ela não está fica apaixo(enca)nado!

faroberto

CRIATURA*

faroberto

*clique na imagem para ampliar

As várias facetas de um pai (um apelido para cada hora do dia)

Fábio, meu genitor, de dia fica com cara de ai
Papai... 


À tarde fica com cara de paisagem
Papaisagem.


À noite, cara de painel luminoso, anunciando amor
Papainel.


Enfim, madrugada, se chega a amada, cara de apaixonado
Papaixonado!


André Pizzo

André espirra, deve ser alérgico
a tanta ebulição da juventude.
Alguém educado lhe diz 'saúde'!
Ele responde obrigado enérgico.


André espirra, mas cobre o rosto.
Germes agora em sua palma.
Ali espirrou sua própria alma
e lambeu para saber o gosto.


André gripado, usando berma,
mão encharcada de tanto ranho
nariz vermelho, palhaço estranho.


Lambendo a mão, refletiu, sem asco:
"A morte... a morte é apenas o frasco
e a vida... uma doação de esperma!"


GOZAÇÃO VIIIIII ....

ESPERME QUE SAI!

GOZAÇÃO

Celi não vai deixar o André doar esperma
Gritará altissonante que esse esperma é seu
Já tem um freezer cheio, não é pra uma palerma
O coração e o sémen o André lhe prometeu

Depois de tantos anos vai virar um doador?
Só se for de dentes pelo murro no Aguirra
De olho preto, aquilo roxo, contorcendo-se de dor
Só em área autorizada o esperma André espirra!

faroberto

Doação de André

Falar sobre esse tema (morte) muitos temem.
Só André diz que não, pode ser que blasfeme.
Ele é uma espinha que da vida a morte espreme
a espirrar em pus enquanto vida e morte gemem
e vai parar bem longe, no Líbano ou no Iêmen.
André-esperma nadando enquanto outros remem
já rompeu muitas barreiras, por exemplo hímen.
Antes que cause mais estragos, ou que o algemem,
melhor doar André para um banco de sêmen!


A morte me esperma

Não espero a morte
Ela é que me espera
Em fino e elegante corte
Sobrevivo em novo esperma

Sobrevivo em pura sorte
Corpo vivo como inóculo
Carne morta e alma forte
Retrocedo em outro óvulo

André

Marca d'água

Nas palavras lê-se entrelinhas
Poetas justificam o pranto
Advogam sem rumo a ausência
Enfrento latência de ervas daninhas 

No fundo da página vê-se um rosto
Afeito traga oxipretexto feito praga
Embriaga rubra feição ardente em mosto
Subterrâneo esconde feito macaxeira
Crescida e adubada espero que lavra
Alimento sadio aos sem eira nem beira


André

A caveira sorridente

Não sei se a morte chegará de farda
Nem se virá trotando ou a galope.
Se vem de ônibus é certo que tarda.
Pelos correios mandará envelope
A me avisar que vem na retaguarda,
Seguindo-me com olho de ciclope.
Enfim, não sei se será de espingarda,
Mas certo é que receberei seu golpe.

Decerto, fará que nem enxadrista
Cercando tudo até dar ultimato,
E eu, mãos ao alto, direi moralista:
Se me matar comete assassinato!
Ela nervosa a conferir a lista
Me chamará de hipócrita, de ingrato. 
Propor-lhe-ei como bom esportista
Que justo é disputarmos campeonato.

"Jó-quem-pô!" direi, fechando meu punho.
Rirá, fechando o seu, por sua vez.
Porei um lerdo papel de rascunho,
Ela, uma tesoura com rapidez.
O iminente fim quase testemunho,
Quando lembro e grito "melhor de três!".
Perco a primeira e quase me acabrunho;
Ganho a segunda, uma total mudez. 

O terceiro lance em câmera lenta.
Vejo minha vida passar inteira.
Diante dos olhos, pressão aumenta,
O sangue ferve, o coração à beira,
Orelhas pelando, a boca sedenta,
Apenas uma mão será certeira.
No último lance a morte avarenta
Se nega a continuar a brincadeira.

Não sei se a morte chegará primeiro
Ou se a vida é que sairá depois.
Só sei que me encontrará bem festeiro 
Comemorando com outros vovôs.
Me encontrará assim, num fogareiro
Imaginando um sol que não se pôs.
Não sei... Mas sei, no instante derradeiro,
Seremos eu e ela, só nós dois,
Compondo o meu sorriso verdadeiro
No meu cadáver que se decompôs.

Aniverfábio

Fábio toca a vida em semifusa.

André

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

CARGAS D'ÁGUA

A chegada é sempre difícil
Existe uma tal insegurança
Mas a vontade é um artifício
E o medo vencido abastança

A leitura sempre foi paixão
A escrita nunca cogitada
Ser poeta não é pretensão
Não quero nabos nem nada

Nadando contra a corrente
Entre nabos, Bics e muralhas
Com fluídos, gases e refis
Acendendo e soltando fumaça

Diversão é o que me apetece
O Fábio com suas tiradas
O Leandro um gênio precoce
Marili não se faz de rogada

Eu não sou de fazer tipo
A contenda pra mim, é sagrada
Nunca quis ser um Zippo
A caneta (Bic) continua com carga.


Neto.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Bic calado

Neto foi só fogo de palha
Veio com pose de muralha
Mas tava só fazendo tipo.
Já veio entregando a toalha
Isqueiro Bic que só falha 
Seu sonho era ser um Zippo

Pobre neto perdeu caneta
Queria até ser um poeta
Mas não encarou a contenda
Quem sabe num futuro beta
Na época de sua bisneta
O Neto deixe de ser lenda.


POETA BRABO ( Precisa dedicar?)


Como não deixar

De homenagear

O Poeta Brabo?



Como não gostar

De ler e escutar

Sua poesia-canção?



Como sim escapar

Da foto e do clicar

Do mestre do botão?



Tarefas difíceis, pois

Para esse poeta não

Há derrota possível

Ou vence pela sua

Insistência ou inteligência!


Porque para ele

A vida é urgente

E sincera, bebida

Vida amada, musicada

Vida longa poetizada!


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Poema ao poeta aniversariante

Tecem ao poeta uma colcha de idade 
com que enfrentar frio de crepúsculo.
Cobrem-no, talvez por caridade,     
mas a colcha pesada faz com que
o poeta contraia cada músculo
e apenas finja que durma e ronque.

E vestem-no com o pijama da idade,
mas o poeta não queria nem a colcha!
E fecha os olhos, por necessidade,
e força as saudades como a cravelhas
pra bem tensionar à memória frouxa,
que é como um violão de cordas velhas.

Recolhe-se então à concha de misantropo,
mais leve que juntos a colcha e o pijama.
Concha que tem em si, como um copo,
tudo de que precisa: ali está sua história
destilada em sonho nos líquidos que ama.
Assim o poeta bebe, não à, mas a sua memória.